Papa retira a gestão de fundos da Secretaria de Estado do Vaticano
28 de dez. de 2020, 16:54
— Lusa/AO Online
A
partir de 01 de janeiro de 2021, esses fundos serão geridos pela
Administração do Património da Sé Apostólica (APSA), um marco da reforma
da Cúria que está a ser realizada para conseguir maior transparência
nas finanças.O Papa tomou essa decisão em
25 de agosto e comunicou-a ao secretário de Estado, Pietro Parolin, numa
carta publicada em novembro.O Vaticano
explicou hoje que com este ‘motu proprio’ Francisco reduz o número de
gestores económicos na Santa Sé e concentra a administração, a gestão e
as decisões económicas e financeiras nos dicastérios (ministérios) que
têm essa tarefa.Os fundos e investimentos
administrados pela APSA “estarão sujeitos ao controlo ‘ad hoc’ do
Ministério da Economia, que doravante também exercerá a função de
Secretariado Pontifício em matéria económica e financeira”.A
partir de 2021, as contribuições devidas ou devolvidas à Santa Sé por
órgãos eclesiásticos de qualquer espécie serão lançadas numa conta
denominada "Orçamento Geral da Santa Sé", administrada pela APSA, que
também se encarregará do pagamento de despesas ordinárias e
extraordinárias do secretário de Estado.O
Vaticano explica que a APSA constituirá uma provisão orçamental
denominada fundos papais que, para maior transparência, fará parte dos
resultados financeiros consolidados da Santa Sé.Haverá
subcontas específicas para o Obolus de San Pedro, o Fundo
Discricionário do Santo Padre e os chamados "fundos titulados", que têm
objetivos particulares por vontade dos doadores ou por regulamento. A APSA informará periodicamente o secretário de Estado sobre a situação dos fundos.“Com
isso, o Santo Padre deseja proceder a uma melhor organização da Cúria
Romana e a um funcionamento ainda mais especializado da Secretaria de
Estado”, explica a Santa Sé.A decisão do
Papa resulta da investigação da operação financeira da venda de um
prédio em Londres, pelo qual alguns funcionários do secretário de Estado
foram suspensos dos seus empregos, incluindo Tommaso Di Ruzza, diretor
do a Autoridade de Informação Financeira (AIF), órgão instituído para a
luta contra a lavagem de dinheiro.A carta
de Francisco é anterior à demissão pelo Papa do substituto da Secretaria
de Estado (2011-2018) e prefeito da Congregação para as Causas dos
Santos, Angelo Becciu, que teve de renunciar aos direitos de cardeal,
depois de se envolver neste escândalo.