Papa quer visitar Mongólia em final de setembro e Índia em 2024
6 de fev. de 2023, 08:40
— Lusa/AO Online
Na
conferência de imprensa a bordo do avião papal, no regresso da viagem à
República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul, iniciada na passada
terça-feira, o Papa disse aos jornalistas que o acompanhavam que, embora
esta deslocação tenha sido difícil, pretende continuar a viajar.“Erva
daninha não morre”, brincou o Papa, acrescentando: “Não estou como no
início do pontificado, está claro. Este joelho incomoda-me, mas está a
melhorar”, respondeu à imprensa, a propósito das futuras viagens
internacionais.Francisco confirmou que em
23 de setembro irá a Marselha, onde se celebrará um encontro dos bispos
da zona do Mediterrâneo dedicado às migrações, e depois, “ainda que não
esteja confirmado”, deverá deslocar-se à Mongólia, onde se encontra o
novo cardeal italiano Giorgio Marengo, que nomeou no último consistório e
que é o mais jovem do colégio cardinalício.Anunciou
ainda que, em 2024, poderá ir à Índia, uma viagem que contava ter
realizado no início do pontificado quando visitou o Bangladesh e a
Birmânia, e que teve de adiar devido a problemas.O
Papa recordou ainda que participará, no princípio de agosto, na Jornada
Mundial da Juventude, a realizar em Lisboa de 01 a 06 de agosto, que
devia ter ocorrido em 2022 e foi adiada devido à pandemia de covid-19.No
que respeita a viagens, o sumo pontífice disse ainda que, na Europa,
quer visitar “os mais pequenos” países, à semelhança de quando visitou a
Albânia, que sofreu “a pior ditadura da história”. "Assim também não
caio na globalização da indiferença", frisou.Francisco
alertou também para a existência de guerras que estão a causar a
"autodestruição" do mundo, citando, a título de exemplo, os “focos de
guerra” em curso na América Latina.Sobre a
guerra na Ucrânia, o Papa disse “não ser a única”, sustentando que,
para haver "justiça", há que não esquecer países que estão em guerra há
mais de dez anos, como a Síria ou o Iémen, e o que afetou a minoria
‘rohingya’ na Birmânia.“Na América Latina, quantos focos de guerra existem", enfatizou."Há
guerras que são importantes devido às consequências que têm, mas o
mundo inteiro está em guerra. O mundo está a enfrentar a autodestruição.
Temos de pensar seriamente sobre isto, porque uma bomba é lançada, e
uma maior é lançada em resposta, e não sabemos como é que esta escalada
vai acabar", defendeu.Sobre a atual
“praga” de venda de armas, mencionou a existência de “interesses
económicos por detrás”, exemplificando com o caso de África onde as
armas são vendidas para que os conflitos tribais possam eclodir. A
propósito da Ucrânia, reiterou estar disponível para se encontrar tanto
com o Presidente ucraniano, Volodomir Zelensky, como com o russo,
Vladimir Putin, acrescentando que, de momento, não irá a Kiev se não
puder ir a Moscovo. Explicou ainda que o chefe da diplomacia russa,
Serguei Lavrov, já lhe respondeu, quanto a esta questão, mas que tudo
será visto numa data posterior.