Papa pede que vítimas de abusos na Igreja sejam ouvidas e a sua dor reconhecida
Hoje 17:51
— Lusa/AO Online
"Trata-se
de ajudar a formar, em toda a Igreja, uma cultura de cuidado, na qual a
proteção de menores e pessoas em situação de vulnerabilidade não seja
considerada uma obrigação imposta de fora, mas uma expressão natural da
fé”, declarou o Papa durante uma audiência com a Comissão Pontifícia
para a Proteção de Menores.Francisco
referiu que, para isso, “é exigido um processo de conversão em que
possamos ouvir o sofrimento dos outros e que isso nos motive a agir”,
afirmou. O Papa observou que as
experiências das vítimas e dos sobreviventes são pontos de referência
essenciais, acrescentando que "embora sejam certamente dolorosas e
difíceis de ouvir", trazem a luz poderosa da verdade e ensinam a
“humildade”.Francisco advertiu ainda que
os membros superiores "têm uma responsabilidade específica que não pode
ser delegada", nomeadamente de "ouvir as vítimas e acompanhá-las" em
todas as instituições e comunidades eclesiais. O
Papa declarou ainda que "é precisamente através do reconhecimento da
dor causada que se abre um caminho credível de esperança e de
renovação", afirmando que "a proteção dos menores e das pessoas em
situação de vulnerabilidade não é uma área isolada da vida eclesial",
mas antes "uma dimensão que perpassa a pastoral, a formação, a
governação e a disciplina".Francisco
agradeceu ainda à Comissão para a Proteção de Menores pelo seu trabalho
"exigente, por vezes discreto e frequentemente árduo", pedindo-lhes que
"intensifiquem ainda mais a sua cooperação" com outros dicastérios e
instituições de proteção à infância.