Papa pede a jovens que sejam "atores do futuro" da RDCongo
2 de fev. de 2023, 12:00
— Lusa/AO Online
"Pertences a uma
história maior que te chama a ser um ator", disse o Papa aos jovens, num
país onde cerca de 60% da população tem menos de 20 anos. Ao
ritmo dos tambores, canções e danças tradicionais, o líder espiritual
da Igreja Católica entrou no estádio dos Mártires a bordo do seu
"papamóvel", saudando e abençoando a multidão. Mais
de 65.000 pessoas, segundo os organizadores, participaram no encontro,
em que Francisco apelou aos fiéis para darem prioridade à "comunidade",
face ao "tribalismo" e ao "individualismo", convidando-os a darem as
mãos e a permanecerem em silêncio enquanto pensam "nas pessoas que os
ofenderam".O Papa também condenou a corrupção, um problema que afeta a RDCongo, dizendo à multidão: "Digamos todos juntos: sem corrupção”.Nas
bancadas, milhares de adolescentes, estudantes e pais cantavam e
aplaudiam sob um calor intenso. Muitos usavam t-shirts, camisas ou bonés
com a imagem de Francisco, o primeiro Papa a visitar o país desde João
Paulo II, em 1985."O M23 está a matar
muitos de nós no Leste, gostaria que isto parasse porque já dura há
demasiado tempo", disse Sheila Mangumbu, de 21 anos, citada pela agência
AFP, referindo-se ao grupo rebelde, que segundo o Governo é apoiado
pelo Ruanda.A visita foi marcada na
quarta-feira pelo "sincero apelo" do Papa face às "atrocidades cruéis"
perpetradas no leste do país, depois de ouvir os testemunhos das
vítimas."As vossas lágrimas são as minhas
lágrimas, o vosso sofrimento é o meu sofrimento", disse Francisco, que
pretende chamar a atenção para as tragédias que afetam certas
"periferias" do mundo.O pontífice
expressou também "indignação" perante a "exploração sangrenta e ilegal
da riqueza" da RDCongo, onde a violência de grupos armados matou
centenas de milhares de pessoas e provocou milhões de deslocados.O Papa tinha previsto visitar Goma, no leste do país, mas a deslocação foi cancelada devido a riscos de segurança. Apesar
da crescente influência das igrejas evangélicas desde os anos 1990, a
Igreja Católica mantém um papel importante na educação, cultura,
política e manutenção de infraestruturas sociais e de saúde na RDCongo,
onde tem frequentemente atuado como contrapoder.O
Papa, de 86 anos, que se desloca em cadeira de rodas devido a dores no
joelho, deverá encontrar-se hoje com o primeiro-ministro congolês,
Jean-Michel Sama Lukonde, na Nunciatura Apostólica, a "embaixada" da
Santa Sé na RDCongo.Também hoje,
desloca-se para a Catedral de Nossa Senhora do Congo, construída em
1947, onde fará um discurso aos padres e religiosos. Como
é habitual nas suas viagens, o jesuíta argentino terminará este
terceiro dia da sua visita com um encontro privado com membros da
Companhia de Jesus.Na quarta-feira, o Papa
celebrou uma missa ao ar livre que, segundo as autoridades, reuniu mais
de um milhão de fiéis num aeroporto no leste da capital.Esta é a 40.ª viagem internacional do chefe da Igreja Católica desde a sua eleição, em 2013, a quinta no continente africano. Na sexta-feira, viajará para Juba, a capital do Sudão do Sul, o Estado mais jovem e um dos mais pobres do mundo.