Papa Leão XIV é fã de Cristiano Ronaldo, admira o cardeal Tolentino e lê em português
16 de mai. de 2025, 11:53
— Lusa/AO Online
“No futebol, o padre Robert Prevost
gostava muito dos argentinos, mas entre Lionel Messi e Cristiano
Ronaldo, preferia o jogador português. Valorizava a disciplina, a
constância e o facto de Cristiano Ronaldo se exigir mais para
conquistar. Destacava no jogador português o trabalho, a paciência e o
esforço por ir de menos a mais”, disse à Lusa José María Nuñez, antigo
acólito do então bispo Robert Prevost que, entre 2014 e 2023, comandou a
diocese de Chiclayo, no norte do Peru.Em
sintonia com a disciplina de Cristiano Ronaldo, todos os sacerdotes
ouvidos pela Lusa em Chiclayo concordaram que o novo Papa, de 69 anos,
gosta da ordem e respeita a tradição dos acessórios litúrgicos.“Monsenhor
Robert gostava que tudo estivesse de acordo com a liturgia. Prestava
atenção aos detalhes”, lembrou José María Nuñez, que conheceu o bispo em
2016, quando tinha 16 anos, tendo convivido por dois anos até 2018.“É
uma pessoa concreta, concisa, de poucas palavras. Prefere escutar.
Escuta muito e responde o necessário de forma direta. É muito
responsável com as coisas que faz e é bem ordenado”, contou à Lusa o
padre José Luis Romero, vicário da paróquia San Agustín, dentro do
colégio homónimo, da ordem de Santo Agostinho à qual o Papa pertence e à
qual ia todos os anos ministrar missas, a primeira comunhão e a
confirmação dos alunos.A reitora da
peruana Universidade Católica Santo Toribio de Mogrovejo, Patricia
Campos, acrescentou outro aspeto que une o novo Papa a Portugal.“Há
alguns anos, de uma das minhas viagens ao Brasil, trouxe uns livros
escritos em português pelo cardeal Tolentino. Eu estudei no Brasil.
Então, como falo e leio em português, trouxe os livros na língua
original, mas eu não tinha conhecimento sobre se ele sabia português.
Então, disse-lhe que Tolentino deve ser lido em português. Ele
respondeu-me: 'Em português? Sim, eu leio'. E pediu-me os livros para
ler na língua original”, contou Patricia Campos.José
Tolentino de Mendonça nasceu na Madeira. Atualmente, o cardeal
português, teólogo e professor universitário, está à frente do
Dicastério para a Cultura e a Educação.“Ter sido superior dos agostinhos durante muitos anos deu ao Papa essa faceta cosmopolita”, considerou a reitora.Os
sete cardeais brasileiros que participaram do conclave contaram que o
Papa lê e entende bem o português, mas fala pouco a língua, preferindo
comunicar em espanhol.Amante de ténis,
beisebol e basquetebol, Prevost foi filmado, em 2005, com um gorro do
Chicago White Sox, clube de beisebol da cidade natal.Não
fez declarações públicas quanto a preferências no futebol,
provavelmente para não dividir os peruanos. Todos tentam agora desvendar
de que clube o Papa é adepto. As principais apostas são o popular
Aliança de Lima e o Juan Aurich, um clube de Chiclayo, atualmente na
terceira divisão do futebol peruano.“Robert
Prevost, o Papa Leão XIV, é do Aliança Lima. Ele vai-me matar quando
souber que eu contei isso”, disse o frei Fidel Alvarado Sandoval,
contemporâneo em Chulucanas, localidade da região andina, à qual o então
sacerdote Robert Prevost chegou ao Peru em 1985.Dois
anos depois, em 1987, uma tragédia aérea deixou o Peru de luto pela
morte de 43, incluindo jogadores e o comando técnico do Alianza Lima.
“Acredito que todos os sacerdotes norte-americanos em Chulucanas
passaram a ser adeptos do Alianza”, referiu o frei.Já José María Nuñez afirmou que "em Chiclayo, [o Papa] é adepto do Juan Aurich”.“Não
é um amante do futebol. Os sacerdotes contavam-me que ele assistia aos
torneios de basquetebol norte-americanos. É um amante do basquetebol”,
garantiu Patricia Campos.A resposta
verdadeira talvez esteja na essência de um agostinho, chamado a viver
dentro de um grupo, de uma comunidade, em união.“Como
agostinhos, procuramos sempre a união. Sempre procuramos a verdade de
Deus juntos. Um frei agostinho sempre está acompanhado de outro irmão.
Não rezamos sozinhos, por exemplo. E quando somos todos diferentes,
procuramos viver a diversidade em união”, explicou o padre José Luis
Romero à Lusa.“Percebamos um detalhe muito
particular: quando o Papa foi eleito, usava uma vestimenta tradicional.
Mas a imprensa não observou que ele calçava sapatos pretos e não os
vermelhos como usou Bento XVI. Isso significa que ele quer encaixar em
todos os lugares. Quer agradar os tradicionais, mas também os que deixam
de lado algumas tradições. Não rompe o protocolo como o Papa Francisco,
mas tem um pouco de todos”, afirmou.“Leão
XIV escuta a opinião de um e de outro. Não tira conclusões rápidas.
Para um chefe de Estado isso é sumamente importante. Será um pastor que
vai ajudar a gerar união no meio de tanta diversidade”, apontou José
Luis Romero. Eleito Papa a 08 de maio,
após dois dias de conclave, na Cidade do Vaticano, o cardeal Robert
Francis Prevost escolheu o nome de Leão XIV. Sucedeu ao papa Francisco,
que morreu a 21 de abril, aos 88 anos.