Papa Francisco recomenda silêncio e oração como resposta aos que buscam escândalo
3 de set. de 2018, 17:09
— Lusa/AO Online
“Que
o Senhor nos dê a graça de discernir quando temos de falar e quando nos
devemos calar”, pediu na homilia a que presidiu esta segunda-feira na Capela da Casa
de Santa Marta.O
papa tem-se recusado a comentar as acusações de quem pede a sua
renúncia, na sequência de uma carta divulgada pelo núncio apostólico
Carlo Maria Viganò.Na
carta o ex-núncio nos Estados Unidos Carlo Maria Viganò assegura que
Francisco conhecia desde junho de 2013 as acusações de abusos sexuais de
um dos cardeais de confiança do papa, o arcebispo reformado de
Washington, Theodore McCarrick.Um
relatório de um grande júri da Pensilvânia informou que pelo menos mil
crianças foram vítimas de 300 padres nos últimos 70 anos, e que gerações
de bispos falharam repetidamente na tomada de medidas para proteger a
comunidade e punir os violadores.Theodore
McCarrick foi afastado em junho do colégio cardinalício e o papa
argentino “ordenou a sua suspensão do exercício de qualquer ministério
público, assim como a obrigação de permanecer em casa que lhe será
destinada para uma vida de oração e penitência”.A
20 de agosto, o papa Francisco publicou uma carta dirigida a todos os
católicos do mundo, condenando o crime de abuso sexual por parte de
padres e o seu encobrimento e exigindo responsabilidades.Na
carta, o papa pediu perdão pela dor sofrida pelas vítimas e disse que
os leigos católicos devem envolver-se em qualquer esforço para erradicar
o abuso e o seu encobrimento e criticou a cultura clerical que tem sido
responsabilizada pela crise, com os líderes da Igreja mais preocupados
com a sua reputação do que com a segurança das crianças.Esta segunda-feira,
e na sequência desta polémica, os bispos portugueses manifestaram
“total apoio” ao papa Francisco, numa carta enviada ao líder da Igreja
Católica, em que se declaram disponíveis para seguir as suas orientações
para erradicar a "chaga" do abuso de menores por padres."Neste
momento, perante tentativas de pôr em causa a credibilidade do seu
ministério, queremos manifestar-lhe a nossa fraterna proximidade e o
total apoio à sua pessoa, a plena comunhão com a sua missão de pastor
universal e completa adesão ao seu magistério", refere a carta dos
bispos de Portugal, lida hoje pelo presidente da Comissão Episcopal
Vocações e Ministérios (CEVM), António Augusto Azevedo, durante o
arranque do Simpósio Nacional do Clero, em Fátima.Na
mesma carta, os bispos portugueses sublinham que partilham do
sofrimento do papa Francisco e de toda a Igreja relativamente ao "drama
do abuso de menores" por parte de padres, propondo-se a "seguir as
orientações para erradicar as causas desta chaga"."Empenhar-nos-emos
em incrementar uma cultura de prevenção e proteção dos menores e
vulneráveis em todas as nossas comunidades", refere a carta, redigida
pelos bispos, reunidos em Fátima, no Simpósio Nacional do Clero.