Papa Francisco pede libertação "rápida" dos responsáveis políticos detidos
Myanmar
8 de fev. de 2021, 13:39
— Lusa/AO Online
O “golpe de estado levou à detenção de vários
responsáveis políticos, que espero que sejam rapidamente libertados como
um sinal de incentivo a um diálogo sincero pelo bem do país”, declarou o
papa durante os seus votos para o corpo diplomático.No
domingo, o papa Francisco expressou a sua preocupação com o que está
acontecer no país e pediu aos responsáveis que retomem uma "convivência
democrática harmoniosa".“Nestes dias, o
meu pensamento dirige-se de modo especial ao povo de Myanmar, a quem
expresso o meu afeto e a minha proximidade”, prosseguiu.O papa denunciou de uma forma geral neste período de pandemia o “crescimento dos confrontos políticos”.O
papa Francisco fez uma visita histórica ao país predominantemente
budista, em novembro de 2017, antes de continuar uma visita ao
Bangladesh, onde falou sobre a perseguição aos muçulmanos Rohingya e se
encontrou alguns refugiados que fugiram de Myanmar.Durante
a visita à antiga Birmânia, na qual conversou com a então líder de
facto do executivo, Aung San Suu Kyi, Francisco não pronunciou a palavra
“Rohingya” uma única vez, já que é uma palavra tabu no país.Hoje,
a polícia usou canhões de água contra os manifestantes na capital,
Naypyidaw, enquanto dezenas de milhares de pessoas tomaram as ruas em
cidades como Rangum, antiga capital e a cidade mais povoada do país, e
Mandalay.Os militares puseram fim, em 01
de fevereiro, a uma frágil transição democrática, ao instaurarem o
estado de emergência por um ano e detiveram Suu Kyi e outros dirigentes
da Liga Nacional para a Democracia (LND, na sigla em inglês).Mais
de 150 pessoas, entre deputados, responsáveis locais e ativistas, foram
interpelados e continuam detidos, indicou a Associação de Assistência
aos Prisioneiros Políticos (AAPP).As
ligações à Internet foram parcialmente reestabelecidas no domingo,
depois de uma perturbação no serviço de 24 horas, mas o acesso à rede
social Facebook, principal ferramenta de comunicação para milhões de
birmaneses, continua a ser restrito.O país viveu sob um regime militar durante cerca de 50 anos, desde a independência em 1948.Uma
liberalização progressiva começou em 2010, e cinco anos depois, com a
vitória da LND nas eleições, chegou ao poder um governo civil, dirigido
de facto por Suu Kyi.Muito criticada até
há pouco pela comunidade internacional pela alegada passividade na crise
dos muçulmanos rohingyas, Aung San Suu Kyi, que viveu sob residência
vigiada durante 15 anos pela oposição à junta, continua a ser
extremamente popular no país.De acordo com
fontes partidárias, a ex-dirigente estará de "boa saúde", confinada a
uma residência em Naypyidaw, a capital construída pelos militares.A
LND venceu novamente as legislativas de novembro, num escrutínio cuja
regularidade foi contestada pelos militares, apesar de observadores
internacionais não terem constatado quaisquer problemas graves.Os militares prometeram eleições livres depois do fim do estado de emergência.