Papa Francisco evoca Aristides de Sousa Mendes no “Dia da Consciência”
17 de jun. de 2020, 16:08
— Lusa/AO Online
Num apelo em prol da efeméride, feito durante a
Audiência Geral de hoje, Francisco pediu para que a “liberdade de
consciência seja respeitada”, dando como exemplo o caso de Sousa Mendes.“Celebra-se
hoje o ‘Dia da Consciência’, inspirado no testemunho do diplomata
português Aristides de Sousa Mendes, que, há 80 anos, decidiu seguir a
voz da consciência e salvou a vida de milhares de judeus e outros
perseguidos” durante a Segunda Guerra Mundial, referiu o papa.“Que
a liberdade de consciência seja sempre e em toda a parte respeitada e
que cada cristão possa dar exemplo de coerência com uma consciência reta
e iluminada pela Palavra de Deus”, acrescentou.Aristides
de Sousa Mendes nasceu em Cabanas de Viriato, concelho de Carregal do
Sal (distrito de Viseu - centro norte de Portugal) a 19 de julho de
1885.No início da Segunda Guerra Mundial
(1939/45), mais precisamente a partir de 1940, Sousa Mendes desempenhava
as funções de cônsul em Bordéus (sudoeste de França), tendo concedido
cerca de 30 mil vistos para salvar a vida de refugiados do nazismo, a
maioria judeus, contra as ordens expressas do então regime fascista
português, liderado por António Oliveira Salazar.Obrigado
a voltar a Portugal, Sousa Mendes foi demitido do cargo e ficou na
miséria, com a sua numerosa família. Morreu na pobreza a 03 de abril de
1954, no Hospital dos Franciscanos, em Lisboa.
Em 1966, foi reconhecido pelo instituto Yad
Vashem, memorial dos mártires e heróis do Holocausto, como um “Justo
entre as Nações”.Em 1998, foi condecorado a título póstumo com a Cruz de Mérito pela República Portuguesa, pelas suas ações em Bordéus.