Papa estabelece que mulheres podem dar comunhão, ajudar no altar e ler a palavra de Deus
11 de jan. de 2021, 17:23
— Lusa/AO Online
O Papa formalizou assim algo que já acontecia na prática.Neste
"motu proprio" é revisto o documento de São Paulo VI "Ministeria
quedam" (1972), que só permitia aos homens receber os ministérios do
Leitorado e do Acólito. O leitor é responsável pela leitura da Palavra
de Deus nas cerimónias, enquanto o acólito auxilia o diácono e o
sacerdote no altar e também pode distribuir a comunhão, entre outras
funções.Embora as mulheres já desempenhem
esses ministérios em lugares onde faltam sacerdotes, na última
assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a Amazónia foi aprovado um ponto
para sua institucionalização.“Por estas
razões, pareceu oportuno estabelecer que instituições como Leitores ou
Acólitos podem ser não só homens, mas também mulheres, nos quais,
através do discernimento dos pastores e após uma preparação adequada, a
Igreja reconhece a vontade firme de servir com fidelidade a Deus e ao
povo cristã ”, escreveu o Papa na carta ao Prefeito da Congregação da
Fé, o espanhol Luis Ladaria.O Papa explica
que a decisão foi tomada depois de ouvir o parecer dos dicastérios
competentes, passando o cânone 230 § 1 do Código de Direito Canónico a
ter a seguinte redação: “Os leigos que tenham a idade e as aptidões
determinadas por decreto da Conferência Episcopal, podem ser empregados
de forma permanente, através do rito litúrgico estabelecido, nos
ministérios dos leitores e acólitos; entretanto, esta outorga não lhes
dá direito ao sustento ou remuneração da Igreja ”.“O
que resolvi com esta Carta Apostólica em forma de Motu Proprio, ordeno
que tenha força firme e estável, apesar do contrário, ainda que digno de
menção especial, e que seja promulgada mediante publicação no
L'Osservatore Romano, entrando em vigor no mesmo dia, e depois publicado
no comentário oficial da Acta Apostolicae Sedis”, refere o Papa
Francisco.O Vaticano explicou numa nota
que esta possibilidade de as mulheres lerem a Palavra de Deus durante as
celebrações litúrgicas ou de realizar um serviço de altar, distribuindo
a Eucaristia, não é nova em muitas comunidades pelo mundo, mas agora
passa a ser uma prática autorizada pelos bispos.“Até
hoje, porém, tudo isso se fazia sem um verdadeiro mandato
institucional, a despeito do que foi estabelecido por São Paulo VI, que
em 1972, embora abolindo as chamadas 'ordens menores', decidiu manter o
acesso restrito a esses ministérios para os homens só porque qualquer
acesso à ordem sagrada os considerava preparatórios ”, explica.O
Papa também especifica que "com relação aos ministérios ordenados, a
Igreja de forma alguma tem o poder de conferir a ordenação sacerdotal às
mulheres".Embora Francisco tenha
estabelecido uma comissão para estudar qual era o papel ou se as
chamadas diaconisas existiam nos primeiros anos do cristianismo, por
enquanto a questão da ordenação sacerdotal de mulheres está posta de
parte.