Papa é escolhido pelo Conclave com regras rígidas e em segredo
21 de abr. de 2025, 15:54
— Lusa/AO Online
A
eleição no Conclave (do latim ‘cum clavis’ ou fechado à chave) está
definida até aos mais ínfimos pormenores na Constituição Apostólica
Universi Dominici Gregis, revista por João Paulo II em 1996, e é
secreta.O sistema de fechar os cardeais
iniciou-se no Concílio Lyon II (1274), convocado pelo Papa Gregório X, e
hoje os também designados “príncipes da Igreja” estão proibidos de
trocar cartas, mensagens ou telefonar a alguém do exterior, assim como
de ler jornais, ouvir rádio ou ver televisão enquanto durar a reunião,
para evitar pressões.A obrigação de manter
segredo estende-se a todos os funcionários do Vaticano que servem os
cardeais neste período ou que têm acesso aos locais em que se encontram e
quem violar as regras será castigado, podendo mesmo ser expulso da
Igreja Católica. A assembleia dos cardeais
eleitores - que se inicia entre 15 e 20 dias após a morte ou resignação
do anterior chefe da Igreja Católica para dar tempo a todos os
participantes de chegarem a Roma - é precedida da missa "Pro eligendo
Pontifice" (para a eleição do Pontífice), na qual os cardeais pedem
apoio espiritual na escolha do novo Papa.Na
tarde desse dia, os prelados dirigem-se em procissão solene para a
Capela Sistina, onde decorre a reunião, invocando com o cântico “Veni
Creator Spiritus” (Vem Espírito Criador) a assistência do Espírito
Santo.No local do escrutínio, um por um e
numa sequência predeterminada, juram com a mão direita sobre a Bíblia
manter segredo sobre as discussões relativas à eleição, antes de se
sentarem nos lugares que ocuparão durante o Conclave.Os
cardeais terão ainda de ouvir um discurso sobre a escolha que vão fazer
e esperar que o eclesiástico que o fez e o Mestre das Celebrações
Pontifícias abandonem a sala à ordem deste “Extra omnes” (Todos fora, os
que não participam no escrutínio).As
portas da sala são fechadas, ficando sob a proteção da Guarda Suíça, o
exército do Vaticano, e os cardeais podem então a sós dar início à
eleição.Antes da realização do Conclave,
todos os elementos do Colégio Cardinalício, atualmente 252, terão
discutido o estado da Igreja e definido o perfil do novo Papa, que
deverá ser um bom “pastor de almas”, teólogo e diplomata, além de falar
várias línguas, em primeiro lugar o italiano, a língua oficial do
Vaticano.Os cardeais não podem declarar-se
candidatos, só podendo ser considerados como tal pelos seus pares
durante a eleição, e também não lhes é permitido chegarem a acordos ou
fazerem promessas, absterem-se ou votarem em si mesmos.Para
que seja eleito o novo Papa é precisa uma maioria de dois terços,
estando prevista a realização de duas votações de manhã e duas à tarde,
após cada duas delas os boletins de voto são destruídos num fogão
instalado na Capela Sistina e a cor do fumo da queima indica o
resultado, preto se o escrutínio continuar, branco se tiver sido
escolhido o novo líder dos católicos.Caso
ninguém tenha sido eleito nos primeiros três dias do Conclave está
previsto um dia de reflexão, que terá de ser seguido de sete outras
votações inconclusivas antes de passar a ser necessária apenas uma
maioria absoluta.O Papa Francisco, que
morreu hoje, foi eleito à quinta votação, no segundo dia do Conclave,
enquanto o seu antecessor, Bento XVI, foi escolhido à quarta.Em
ambos os casos, além do fumo branco que saiu da chaminé da Capela
Sistina, o toque a repique dos sinos da basílica de São Pedro anunciou a
escolha do novo pontífice.Mas antes da
divulgação pública do resultado da eleição realiza-se o último ato do
Conclave: questionar o escolhido sobre se aceita o cargo – sabendo que a
Constituição Apostólica indica que deve “submeter-se humildemente à
vontade divina” – e qual o nome por que pretende ser conhecido.O
cardeal argentino jesuíta Jorge Mario Bergoglio, o primeiro Papa da
América Latina, escolheu o nome de Francisco numa homenagem a São
Francisco de Assis, o santo dos pobres.O
que será o 267.º Papa terá depois de colocar as vestes brancas próprias
do cargo e dirigir-se à sacada da Basílica de São Pedro, onde o primeiro
cardeal dos diáconos já anunciou “Habemus Papam” (Temos Papa), para
saudar os fiéis reunidos na praça em frente e dar a bênção “Urbi e Orbi”
(à cidade [Roma] e ao mundo).