Papa defende que fluxos sejam preparados e não vistos como emergências
Migrações
6 de abr. de 2022, 11:07
— Lusa/AO Online
Francisco
referiu o tema das migrações durante a sua audiência semanal, que foi
também um dos temas em destaque na sua recente viagem à ilha de Malta,
no Mediterrâneo.“Obviamente,
a receção [dos migrantes] deve ser organizada, deve ser conduzida, e
antes, muito antes, deve ser planeada em conjunto, a nível
internacional. Porque o fenómeno migratório não pode ser reduzido a uma
emergência, é um sinal dos nossos tempos”, considerou o Papa.Francisco,
que visitou o centro de acolhimento e migrantes ‘João XXIII’ durante a
sua viagem a Malta, apelou para que se ouçam os testemunhos, porque “só
assim se pode sair da visão distorcida que muitas vezes circula nos
meios de comunicação e se reconhecem os rostos, as histórias, as mágoas,
os sonhos e as esperanças”.“Cada
migrante é único, é uma pessoa com a sua dignidade, as suas raízes, a
sua cultura. Cada um é portador de uma riqueza infinitamente maior do
que os problemas que o seu acolhimento possa implicar”, lembrou. O Papa agradeceu ainda ao povo polaco pelo acolhimento que tem dado aos refugiados ucranianos que fogem da guerra.“Vocês
demonstraram uma generosidade extraordinária e exemplar com os
ucranianos, uma generosidade para com os nossos irmãos ucranianos, a
quem vocês abriram os vossos corações e as portas das vossas casas.
Obrigado, obrigado pela vossa generosidade”, disse.Segundo
o relatório divulgado na terça-feira pelo Alto Comissariado da ONU para
os Refugiados (ACNUR), cerca de 4,24 milhões de ucranianos fugiram do
país desde a invasão da Rússia, iniciada em 24 de fevereiro, sendo que a
maioria foi acolhida pela Polónia, onde já deram entrada 2.469.657
refugiados.A
ofensiva militar russa na Ucrânia já matou, pelo menos, 1.480 civis,
incluindo 165 crianças, e feriu 2.195, entre os quais 266 menores,
segundo os mais recentes dados da ONU, que alerta para a probabilidade
de o número real de vítimas civis ser muito maior.A
guerra causou um número indeterminado de baixas militares e a fuga de
mais de 11 milhões de pessoas, entre os que saíram do país e os
deslocados internos.Esta
é a pior crise de refugiados na Europa desde a II Guerra Mundial
(1939-1945) e as Nações Unidas calculam que cerca de 13 milhões de
pessoas necessitam de assistência humanitária.A
invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade
internacional, que respondeu com o envio de armamento para a Ucrânia e o
reforço de sanções económicas e políticas a Moscovo.