Papa decide dar às mulheres direito de voto no Sínodo dos Bispos
26 de abr. de 2023, 16:36
— Lusa
As
alterações hoje anunciadas serão aplicadas no próximo Sínodo dos
Bispos, que vai decorrer em duas partes, a primeira de 04 a 29 de
outubro deste ano e a segunda em outubro de 2024, e dão destaque à visão
atual do Vaticano de que os fiéis leigos passem a assumir um papel
maior nos assuntos da Igreja que há muito foram deixados para clérigos,
bispos e cardeais.Grupos de mulheres
católicas, que têm vindo a criticar o Vaticano por tratar as mulheres
como cidadãs de segunda classe, já elogiaram a medida, considerando-a
histórica.A principal novidade é a
atribuição do direito ao voto a cinco irmãs religiosas, que vão
juntar-se a cinco padres como representantes das ordens religiosas no
encontro, segundo o Vaticano.O papa
Francisco decidiu ainda nomear 70 não-bispos para o Sínodo e pediu que
metade sejam mulheres, tendo todos direito de voto.Durante
a apresentação destas mudanças, o arcebispo do Luxemburgo e
relator-geral do Sínodo de outubro, Jean-Claude Hollerich, considerou
que não se trata de uma revolução, uma vez que a assembleia continua a
ser uma reunião de bispos”, já que 75% dos participantes continuam a ser
bispos.Também o secretário-geral do
Sínodo, o cardeal Mario Grech, minimizou as mudanças, sustentando que
“continuará a ser um Sínodo dos Bispos, mas haverá essa participação com
membros leigos”.O Sínodo dos Bispos é reunião da hierarquia eclesiástica que discute os temas de interesse da Igreja Católica.