Papa contra "interesses obscuros" em torno de resíduos tóxicos no sul de Itália
Hoje 11:29
— Lusa/AO Online
Na região conhecida como “Terra dos
Fogos”, onde a máfia lucrou com o enterramento e a queima de resíduos
tóxicos, com prejuízo para a saúde dos habitantes, o Papa americano visitou a catedral onde se reuniu com o
clero local e com algumas famílias vítimas da poluição ambiental.Leão
XIV, que reconheceu que esta viagem fazia parte dos planos do seu
antecessor, Papa Francisco, afirmou no seu discurso que “o grito da
Criação e dos pobres” foi ouvido de forma “mais dramática” nesta cidade
italiana perto de Nápoles.Uma terra que,
disse o líder da Igreja Católica, foi prejudicada por “uma concentração
mortal de interesses obscuros e indiferença pelo bem comum que envenenou
o ambiente e a sociedade”.“Vim, acima de
tudo, para recolher as lágrimas daqueles que perderam entes queridos,
vítimas da poluição causada por pessoas e organizações sem escrúpulos
que, durante demasiado tempo, agiram impunemente”, afirmou.Na catedral, foi
recebido pelo bispo de Acerra, Antonio Di Donna, que descreveu a
situação que se vive na “Terra dos Fogos”, explicando ao Papa que o
“drama ambiental” começou na década de 1980, quando os industriais do
rico norte italiano precisavam de se livrar de grandes quantidades de
resíduos tóxicos.“Ao longo de cerca de 30
anos, chegaram de muitas indústrias do norte centenas de milhares de
toneladas de resíduos tóxicos que foram despejados numa parte deste
território. Isto garantiu grandes poupanças aos industriais corruptos e
enormes lucros ao crime organizado”, afirmou o bispo.A
poluição, lamentou, causou “doenças e mortes prematuras, especialmente
entre adolescentes e jovens”, e afirmou que existe uma relação entre
este problema e os tumores de que sofre uma parte da população.“Nos
últimos 30 anos, só em Acerra morreram cerca de 150 adolescentes e
jovens, sem contar com os adultos nem com as vítimas de outras zonas do
território. Aqui presentes, diante de vós, encontram-se alguns pais de
jovens falecidos e daqueles que se encontram atualmente em tratamento.
Eles viveram uma verdadeira Via Sacra. Muitos ainda não conseguiram
superar o luto”, sublinhou Antonio Di Donna.