Papa confessa que é “experiência dolorosa” falar com vítimas de abusos
JMJ
7 de ago. de 2023, 08:57
— Sílvia Reis/Lusa/AO Online
“Falar
com pessoas abusadas é uma experiência muito dolorosa, que também me
faz bem, não porque me dê gozo escutar, mas porque me ajuda a assumir a
responsabilidade desse drama”, afirmou Francisco, na conferência de
imprensa no avião que o transportou de Lisboa, onde presidiu à Jornada
Mundial da Juventude (JMJ), para Roma.Na
quarta-feira, na Nunciatura Apostólica, em Lisboa, o líder da Igreja
Católica recebeu um grupo de pessoas que foram vítimas de abusos, como
habitualmente faz, para dialogar sobre o que classificou de “tremenda
peste”.Segundo o Papa, “o processo na
Igreja portuguesa vai bem e com serenidade”, frisando que se procura “a
seriedade nos casos dos abusados”.“Os
números, às vezes, acabam por ser empolados, pelos comentários, e isso
custa-nos sempre, mas a realidade é que está a ser bem conduzido e isso
dá-me uma certa tranquilidade”, declarou, reiterando “tolerância zero”
aos abusos.Reafirmando que o processo na
Igreja portuguesa “está a ir bem” e que está informado de como avança, o
Papa considerou que “as notícias, por aí, empolaram-nas, mas as coisas
estão a ir bem”.Francisco recebeu na
quarta-feira um grupo de 13 vítimas de abusos na Igreja portuguesa,
segundo a sala de imprensa da Santa Sé, "acompanhados por alguns
representantes de instituições da Igreja portuguesa, responsáveis pela
proteção dos menores”, alguns dos quais disseram depois, publicamente,
que o Papa lhes pediu perdão.Segundo o
comunicado, o encontro, que aconteceu no primeiro dia da visita do Papa a
Portugal para presidir à JMJ, que hoje terminou no domingo, "decorreu
num clima de intensa escuta e durou mais de uma hora, concluindo-se
pouco depois das 20:15”.A Comissão
Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais Contra as Crianças na
Igreja Católica Portuguesa validou 512 dos 564 testemunhos recebidos,
apontando, por extrapolação, para um número mínimo de vítimas da ordem
das 4.815.Estes testemunhos referem-se a
casos ocorridos entre 1950 e 2022, período abrangido pelo trabalho da
comissão, cujos dados foram divulgados em fevereiro.No
dia 26 de abril, foi apresentado o Grupo Vita, criado pela Igreja
Católica para acompanhamento das situações de abuso sexual de crianças e
adultos vulneráveis. É um grupo que funciona em articulação com as
comissões diocesanas de Proteção de Menores.A
criação desse grupo foi uma decisão da Conferência Episcopal Portuguesa
tomada após a publicação do relatório da Comissão Indedendente, que foi
também uma iniciativa da Igreja Católica.