Papa condena legalização do aborto e eutanásia "sob o pretexto de falsa compaixão"

Hoje 18:56 — Lusa

“É impossível considerar normal o ato de pôr fim a uma vida. O que é legal não é necessariamente moral”, afirmou o Papa, no terceiro dia em França, durante uma visita ao Accueil Notre-Dame.O centro, situado no interior do Santuário de Lourdes, acolhe e presta assistência a pessoas doentes e idosas. “Aqui, a fragilidade não se esconde, mas torna-se o lugar de um encontro sagrado”, afirmou Leão XIV.“Numa época em que algumas sociedades tendem a desviar o olhar ou a fechar os olhos perante a dignidade da vida humana, é urgente, antes de mais, cultivar, em nós e nos outros, um olhar contemplativo [...]. É o olhar de quem vê a vida na sua profundidade, percebendo as suas dimensões de gratuidade, beleza, convite à liberdade e à responsabilidade”, disse.Lourdes tornou-se um importante destino de peregrinação depois de a Igreja Católica ter reconhecido oficialmente as aparições da Virgem Maria relatadas por uma jovem em 1858.O local, situado perto da fronteira com Espanha, recebe milhões de peregrinos todos os anos, sobretudo crentes doentes e com deficiência que esperam obter uma cura através da famosa água da nascente da gruta de Lourdes, onde alegadamente ocorreram as aparições.No Accueil Notre-Dame, Leão XIV sublinhou que “para aqueles que sofrem de patologias específicas e de dores por vezes terríveis, o horizonte pode parecer sombrio, incerto, sem saída”.Defendeu, no entanto, que “nenhuma lei deve fazer-nos perder a certeza da dignidade” e que, pelo contrário, precisamente em nome desta dignidade inalienável da pessoa humana, deve ser firmemente rejeitada a tentação de tirar a vida sob o pretexto de uma falsa compaixão”.Dirigindo-se aos profissionais de saúde, pediu que recordem o “significado profundo da sua vocação: cuidar de uma pessoa que sofre e não eliminá-la”.Recordou uma das suas últimas mensagens, quando afirmou: “Ninguém tem o direito, nunca, com base em algoritmos laboratoriais, de decidir sobre a vida de um determinado embrião ou de uma determinada pessoa idosa”.As críticas do líder da Igreja Católica surgem depois de o parlamento francês ter aprovado, em julho, o direito à morte assistida.A legislação aplica-se a doentes com doenças graves e irreversíveis e em sofrimento.“A medicina nunca poderá tornar-se serva da morte programada”, acrescentou o Papa, defendendo, por outro lado, a criação de estruturas de cuidados paliativos e de investigação” e, por outro, o acompanhamento “com ternura os doentes, como acontece em Lourdes”.Aos profissionais de saúde, disse ainda que são “o coração palpitante da nossa humanidade e um tesouro precioso para a Igreja”.