Papa chegou à Birmânia para visita em plena crise que atinge o povo rohingya
27 de nov. de 2017, 10:09
— Lusa/AO online
Trata-se
de uma das viagens mais sensíveis do ponto de vista diplomático devido à
crise humanitária que atinge a minoria muçulmana rohingya pelas
autoridades da Birmânia que são acusadas de limpeza étnica.Milhares de pessoas foram obrigadas a refugiar-se nos países vizinhos, sobretudo no Bangladesh. Na
semana passada, os governos da Birmânia e do Bangladesh assinaram um
memorando de entendimento que pode abrir caminho ao regresso de 650 mil
refugiados rohingya mas sem especificar a forma de regresso ou as
condições, até porque os birmaneses não reconhecem a cidadania à minoria
muçulmana rohingya. A
situação já levou os membros da igreja católica locais a pedir ao Papa
para não pronunciar a palavra rohingya para que sejam evitados
problemas, apesar do chefe de Estado do Vaticano já ter denunciado a
situação várias vezes.Nesta
visita à Birmânia, o papa tem previstos encontros com o presidente
Htion Kyaw e com a líder, de facto, do governo Aung San Suu Kyi. As relações entre o Vaticano e a Birmânia foram estabelecidas no passado mês de maio.De
acordo com o Vaticano trata-se de uma viagem pastoral e, por isso,
estão agendados encontros com a pequena comunidade cristã da Birmânia,
composta por cerca de 650 mil pessoas em todo o país. O
Papa Francisco vai também reunir-se com o Conselho Superior Sangha dos
monges budistas, o órgão que reúne os líderes máximos incluindo o ramo
budista dominante. Na
quinta-feira, Francisco vai encontrar-se em privado com o chefe das
Forças Armadas da Birmânia, Min Aung Hlaing, uma reunião que não estava
inicialmente prevista mas que foi aconselhado pela Igreja birmanesa. A
segunda parte da visita incluiu a deslocação ao Bangladesh, que se vai
prolongar do dia 29 de novembro até ao dia 02 de dezembro.