Papa assinala “momento difícil” do exército português após morte de dois militares
Hoje 17:27
— Lusa/AO Online
Na sexta-feira, dois militares
morreram atropelados na A1 quando pararam para ajudar um camionista e
esse foi um dos temas da conversa do Papa com uma comitiva de 129
elementos, “representativas de todos os ramos, quer das forças armadas
quer das forças de segurança”, organizada pelo Ordinariato Militar em
Portugal, explicou Sérgio Dinis. “Quisemos
reunir com sua Santidade, o Papa, para que ele tenha a consciência que
Portugal está ao serviço da paz”, afirmou o bispo português, salientando
que, na audiência privada, Leão XIV comentou o “momento difícil que o
exercito português passa com na morte de dois militares” que “estavam
como [a parábola do] Bom Samaritano a prestar assistência no caminho”. Na
audiência, segundo o bispo, o Papa leu uma passagem da Bíblia, evocando
o exemplo de um centurião romano que procurou “ser um ponto de
equilíbrio de dialogo e de diplomacia”, numa comparação com o que deve
ser o comportamento dos militares e forças de segurança. Porque
a “paz começa sempre no coração de cada homem”, afirmou Sérgio Dinis,
salientando que Portugal tem estado empenhado em processos de
pacificação em todo o mundo, como são exemplo as forças destacadas na
República Centro-Africana e em Moçambique. “Quisemos
assinalar que apesar de termos uma população bem diminuta procuramos
ajudar a manter a paz no mundo”, disse, salientando que esta visita,
também procurou reforçar o trabalho pastoral na formação moral e ética
dos quadros das forças de segurança e forças armadas. A
“Igreja quer estar junto destes homens para lhes transmitir caminhos de
paz, ajudá-los na sua vivência espiritual para serem construtores de
paz”, acrescentou. No pedido de audiência
privada, a que a Lusa teve acesso, o bispo das Forças Armadas e das
Forças de Segurança invocou os 60 anos da criação do Vicariato Castrense
e os 25 anos do decreto que autonomizou a diocese do Patriarcado de
Lisboa. Essas datas, a par dos 40 anos da
constituição apostólica que define como deve ser o “cuidado pastoral da
Igreja por aqueles que servem a paz e a segurança das nações”,
justificam o pedido de um encontro para “renovar a comunhão com o Santo
Padre e para expressar, diante dele, a gratidão e a fidelidade da Igreja
que serve pastoralmente os militares e as forças de segurança do nosso
país”.No documento, o bispo também quis
agradecer o esforço de Leão XIV, no seu “incansável apelo à paz, à
reconciliação entre os povos e à responsabilidade ética das nações”. Da
comitiva fez parte o ministro da Administração Interna, Luís Neves,
chefias militares, GNR e da PSP, sacerdotes e um representante do
ministro da Defesa. Luís Neves “atribui
particular significado a esta audiência, enquanto responsável pela
tutela das forças de segurança, valorizando a oportunidade de acompanhar
os profissionais que diariamente protegem as pessoas, preservam a paz e
garantem a segurança das comunidades”, refere o Ministério da
Administração Interna, que publicou uma nota sobre o assunto. Trata-se
de uma “missão que converge com os apelos que o Papa Leão XIV tem
transmitido ao longo do primeiro ano do seu pontificado, em defesa da
paz, da reconciliação entre os povos e da responsabilidade ética das
nações”, pode ainda ler-se na nota do ministério.