Papa alerta para as "patologias sociais" da pandemia
12 de ago. de 2020, 10:05
— Lusa/AO Online
“A pandemia destacou o quão
vulneráveis e interligados somos. Se não cuidarmos uns dos outros,
começando pelos últimos, os mais afetados, não seremos capazes de curar o
mundo”, disse o pontífice no início da audiência geral na Biblioteca do
Palácio Apostólico, no Vaticano.O Papa,
que continua a realizar esta audiência no palácio e não na Praça de São
Pedro para evitar as multidões de fiéis, destacou que “o novo
coronavírus não é a única doença a combater”.“A
pandemia trouxe à luz patologias sociais mais amplas, como uma visão
distorcida da pessoa que ignora a sua dignidade. Às vezes olhamos os
outros como objetos a serem usados e jogados fora”, lamentou.Essa
atitude, na sua opinião, “cega e fomenta uma cultura de desperdício,
individualista e agressiva que transforma o ser humano num bem de
consumo”.“Deus não nos criou como objetos,
mas como pessoas amadas e capazes de amar, criou-nos à sua imagem e
semelhança. Deu-nos uma dignidade única, convidando-nos a viver em
comunhão com ele, com os nossos irmãos e irmãs, no respeito por toda a
criação, em comunhão, em harmonia, podemos dizer", disse.O
Papa apelou ao mundo para que viva em "harmonia", evitando
comportamentos individualistas, pois o contrário seria uma conceção
"distorcida" do mundo e da vida.Francisco
elogiou “o empenho de muitas pessoas nestes meses, em dar provas do amor
humano e cristão” em ajudar os que estão doentes da pandemia, “também
em risco para a própria saúde” e apelou à preservação dos Direitos do
Homem neste contexto, que definiu como "mil pedras no longo e difícil
caminho da humanidade", parafraseando João Paulo II.“Os
direitos não são apenas individuais, mas também sociais. O ser humano,
na sua dignidade pessoal, é um ser social criado à imagem de um Deus
único. Somos sociais, precisamos viver nesta harmonia social, mas quando
há egoísmo o nosso o olhar não vai para a comunidade, mas volta para
nós. Isso destrói a harmonia”, concluiu.