Papa abre caminho à beatificação do arquiteto espanhol Antoní Gaudí
14 de abr. de 2025, 13:51
— Lusa/AO Online
Francisco, que ainda se encontra
a recuperar de uma infeção respiratória, recebeu o prefeito do
Dicastério para as Causas dos Santos, o cardeal Marcello Semeraro, e
assinou vários decretos, entre os quais um sobre o arquiteto espanhol
nascido em 25 de junho de 1852, que morreu a 10 de junho de 1926.O
caminho para ser considerado santo pela Igreja Católica tem várias
etapas: a primeira é ser declarado "Venerável Servo de Deus", título
dado a uma pessoa morta que é reconhecida por ter "vivido as virtudes de
forma heroica", o segundo, abençoado beato e, o terceiro, santo.Para
que uma pessoa venerável seja beatificada, deve ter ocorrido um milagre
por sua intercessão, e para que seja canonizada ou tornada santa, deve
ter ocorrido um segundo milagre por sua intercessão, depois de ter sido
proclamada bem-aventurada.O processo de
beatificação do arquiteto foi iniciado há 30 anos pela Associação
Pró-Beatificação de Antonio Gaudí, fundada em 1992 e presidida pelo
arquiteto José Manuel Almuzara. Mais tarde, o cardeal e arcebispo de
Barcelona, Juan José Omella, fundou a Associação Canónica, que sucedeu à
associação civil.A nova associação
acelerou o processo enviando a “positio”, isto é, os argumentos
fundamentais para a causa de beatificação de Gaudí, para o Dicastério
para as Causas dos Santos em 2023.Segundo a
associação canónica, Gaudí foi "uma testemunha de fé, um homem de fé,
um grande observador da natureza e um arquiteto brilhante, tornando-se
uma figura universal na arquitetura moderna. O seu contributo para esta
disciplina rompeu com as normas estabelecidas. O testemunho de fé que
ofereceu durante a sua vida está registado na sua obra mais importante, a
Sagrada Família, em Barcelona".Em março
de 2000, a Santa Sé autorizou a abertura formal do processo de
beatificação diocesano, o que levou à criação do tribunal correspondente
para investigar a reputação de santidade.Na
sua viagem a Espanha em 2010, o papa Bento XVI (1917-2022), ao
consagrar a Basílica da Sagrada Família, definiu Gaudí como um
“arquiteto brilhante e um cristão consequente” que “superou a divisão
atual entre a consciência humana e a consciência cristã, entre a
existência neste mundo temporal e a abertura à vida eterna, entre a
beleza das coisas e Deus como Beleza”.Em 2026 será assinalado o centenário da morte de Antoní Gaudí. Na
altura, prestes a concluir 74 anos, Gaudí deixava uma obra que marcava o
caráter modernista de Barcelona, com projetos como os das casas Vicens,
Batlló e Millá, do Parque e do Palácio Guell ou da “Finca” Miralles. A
Basílica da Sagrada Família foi encomendada em 1883 e, a partir da
década de 1910, Gaudí dedicou-se em exclusivo à concretização da obra.Antoní
Gaudí morreu num hospital de auxílio aos pobres, três dias depois de
atropelado por um elétrico, nas ruas de Barcelona. A aparência humilde
do arquiteto impediu o seu reconhecimento na altura do acidente. Gaudí encontra-se sepultado na Basílica que projetou e cuja conclusão é esperada para 2026.