Pandemia obrigou a alterar exercício da NATO no Báltico comandado desde Oeiras
16 de jun. de 2020, 15:11
— Lusa/AO Online
Três
mil militares de 19 países, com 29 navios e o mesmo número de aeronaves,
participaram no 49.º BALTOPS, “um dos mais importantes exercícios
marítimos na região do Báltico”, que começou no dia 07 deste mês e
terminou hoje.O comando operacional deste
exercício da NATO foi feito a partir do quartel-general das forças
navais de ataque e apoio da Aliança (STRIKFORNATO), localizado em
Oeiras, distrito de Lisboa, um local que já tinha sido escolhido muito
antes de se ouvir falar de covid-19.“Eu
sei que muitos exercícios foram ou muito reduzidos ou mesmo cancelados.
Quando olhámos para a situação estávamos determinados em fazer alguma
coisa. O BALTOPS acontece consecutivamente há 49 ano e parecia errado
não o realizar, nem que fosse só com um navio”, explicou à agência Lusa o
contra-almirante Guy Robinson, da Royal Navy, o segundo comandante da
STRIKFORNATO.De acordo com este
responsável, depois da decisão tomada foram contactados “os países que
normalmente participam para saber o que estavam dispostos” a fazer “e
muitos deles estavam gratos pela oportunidade”, uma vez que “as marinhas
precisavam de treinar”.“Ao contactar os
países na zona do báltico percebemos que estes estavam muito gratos que
pelo facto de nós mantermos o 49.º BALTOPS e tivemos muito apoio. Foi
por isso que tivemos três mil pessoas a participar e fizemos o exercício
em segurança”, afirmou o britânico Guy Robinson.Assumindo
que “o exercício foi mais pequeno do que no ano passado”, o segundo
comandante da STRIKFORNATO recusa fazer “uma competição sobre tamanho”
uma vez que o importante é “o valor de treino que é conseguido”.Por causa da pandemia, o contra-almirante explicou que foi preciso mudar o desenho do exercício.“Uma
das maiores tradições do BALTOPS é usar forças anfíbias, que envolve
pôr marinheiros do mar numa praia algures e nós quisemos evitar isso.
Também no exercício há muitas alturas em estão envolvidos navios
comerciais ou navios de guerra que querem praticar. Não pudemos fazer
esses exercícios”, explicou, uma vez que foi preciso “ter precauções”
porque o importante era “manter os marinheiros saudáveis”.Por
seu turno, o capitão-de-mar-e-guerra Boliqueime da Conceição, adjunto
do Chefe-do-Estado-Maior da STRIKFORNATO para o departamento de apoio,
deixou claro que “não era opção cancelar o exercício” uma vez que “há
vários anos que se realiza consecutivamente”.O
oficial português mais antigo na STRIKFORNATO referiu, em declarações à
agência Lusa, que, devido à covid-19, na fase final de planeamento do
exercício, foi preciso recorrer à teleconferência, através de um
“sistema de comunicação classificada”, sendo por isso “seguro transferir
informação através desses meios”“Neste
comando, até ao momento, ainda não foi identificado qualquer caso de
covid-19 entre os seus membros, contrariamente a outros comandos [da
NATO] que nós sabemos que tiveram que lidar com esse caso”, referiu.De
acordo com o capitão-de-mar-e-guerra, assim que foi declarado o estado
de emergência, foi aplicada “toda essa legislação e todas as regras que
foram difundidas” nas instalações de Oeiras.“Aumentar
a distância social entre os elementos, dentro dos espaços fechados não
exceder a lotação que está definida por lei, em reuniões em que era
exijo mais pessoal distribuímos pelas diversas que nós temos aqui no
comando e estiveram todos ligados por vídeo teleconferência”, elencou,
para além do uso de máscara e desinfeção regular das mãos.O adjunto do Chefe-do-Estado-Maior da STRIKFORNATO para o Departamento de Apoio admite que a covid-19 “foi um desafio”. “Nós
somos militares e temos que estar prontos para corresponder a qualquer
situação seja ela a que for e provámos mais uma vez que estamos aptos,
independentemente desta situação que tem limitações, mas conseguimos”,
afirmou.Apesar de ter um “staff foi mais
reduzido em termos de unidades participantes” – que numa situação normal
seria o dobro -, o exercício “revelou-se uma excelente oportunidade de
treino uma vez mais e foi um sucesso”, garantiu o militar da Marinha
Portuguesa.O BALTOPS é um exercício anual,
iniciado em 1972, e, segundo a Aliança Atlântica, “é uma demonstração
visível do compromisso da NATO em promover a paz e a segurança na região
do Báltico, ao possibilitar o treino das forças que mais rapidamente
poderão responder em tempos de crise”.