Pandemia não significou pior desempenho financeiro em 2021 para maioria dos municípios
4 de abr. de 2023, 16:23
— Lusa
Os dados
estão no segundo relatório do Tribunal de Contas (TdC) de análise ao
impacto da covid-19 nas contas dos 278 municípios do continente,
relativo a 2021, depois de em janeiro ter divulgado um outro que incidiu
sobre as contas de 2020.“As contas de
2021 ficaram marcadas, pela primeira vez em anos, por um défice global
(-24,5 ME), consequência de um aumento da despesa efetiva (+14%) não
totalmente compensado pela receita efetiva (+11%)”, resumiu o TdC.O
organismo considerou que “este cenário não se encontra, naturalmente,
desligado da pandemia”, o que é “evidente” nas despesas operacionais
(transferências correntes e nos subsídios concedidos), “uma vez que os
municípios mantiveram ou reforçaram medidas de apoio económico e social
(+18% do que em 2020 e +36% face a 2019)”. No
entanto, no relatório é sublinhado que o défice global registado “não
significou um pior desempenho orçamental e financeiro para a maioria dos
municípios” e que “existem outros fatores extra pandémicos que têm de
ser considerados na análise”.O TdC
salientou que o défice global em 2021 foi “bastante influenciado” pelas
despesas de investimento (+ 29% do que em 2020 e +39% em comparação com
2019), sobretudo nos municípios mais populosos, mas “que em muito pouco
se relacionam com o ‘contexto covid-19', o que confirma que a pandemia
não impediu os municípios de aumentar substancialmente o seu
investimento”.Foram os municípios de maior
dimensão que tiveram maior desgaste orçamental devido à crise
sanitária, registando, em termos acumulados (2019-2021), “um aumento de
22% nas despesas de natureza operacional mais influenciadas pela
pandemia, bastante acima do verificado nos de média (+4%) e pequena
dimensão (-3%)”.Por outro lado, 2021 foi
um ano de retoma económica, tendo-se verificado um aumento das receitas
próprias comparativamente a 2020, devido à influência da cobrança das
receitas fiscais relacionadas com o imobiliário (+10% do que em 2020 e
+9% face a 2019).Também as transferências
através do Orçamento do Estado e da União Europeia continuaram a crescer
(+14% face a 2020 e +29% em comparação a 2019), o que teve “um efeito
‘acelerador’ sobretudo para os municípios de pequena e média dimensão em
cujos orçamentos o peso desta componente tende a ser maior”.O
TdC alertou que, tal como em 2020, houve dificuldades em avaliar o
impacto direto das medidas covid-19 nas contas municipais, porque esta
informação deveria estar reportada nos Relatórios de Gestão dos
municípios, mas não o estava com a “qualidade necessária”.Nesse
sentido, recomenda aos municípios que estruturem e disponibilizem nas
suas páginas eletrónicas os documentos digitais de forma a facilitar e
fomentar a sua leitura e análise e que procedam nos mapas de execução
orçamental ou no relatório de gestão, a uma “especificação das despesas e
receitas classificadas em rubricas e sub-rubricas de natureza residual,
especialmente quando estiverem em causa montantes elevados”.Sugere
ainda a quem tutela as Finanças, a Administração Pública e entidades da
Administração Local “que sejam reforçados os mecanismos de coordenação e
articulação” para a aplicação de “critérios uniformes na recolha,
tratamento e divulgação da informação”.No
relatório relativo a 2020, publicado em janeiro, o TdC concluiu que as
medidas de resposta à covid-19 pressionaram as contas dos municípios
nesse ano, mas, em termos globais, a pandemia “não parece ter induzido”
um crescimento da despesa municipal.Neste
documento, o TdC realçou que a crise sanitária afetou o desempenho
orçamental e financeiro destas autarquias, que em 2020 viram reduzir as
suas receitas próprias e aumentar as despesas, mas que, por outro lado,
os municípios também obtiveram nesse período mais transferências do
Orçamento do Estado e da União Europeia e realizaram menos gastos,
devido ao encerramento de serviços e de instalações municipais e à
suspensão de atividades.