Pandemia, guerra e inflação agravaram pressão nos cuidados nutricionais
12 de out. de 2022, 12:40
— Lusa/AO Online
"Há circunstâncias que
agravaram a premência nos cuidados nutricionais, como a pandemia, a
guerra na Europa, com a pressão nos sistemas alimentares, mas também a
inflação, que todos sentimos. E o Orçamento do Estado não tem nada que
diga respeito à nutrição, o que é preocupante pois deve ser uma área de
clara aposta", afirmou Alexandra Bento, sublinhando que "a maior parte
da mortalidade está relacionada com maus hábitos alimentares e com o
estilo de vida”.A bastonária, que falava
na comissão parlamentar de Saúde, onde foram ouvidas diversas
ordens profissionais da saúde, disse que “os números falam por si”,
recordando que dos cerca de 4.800 nutricionistas só 5% estão no Serviço
Nacional de Saúde (SNS).“Há 160 nos
cuidados de saúde primários e 280 nos cuidados hospitalares. Como é
possível com 240 nutricionistas no SNS fazer face às necessidades da
população?”, questionou a responsável.Sublinhando
que os 4.800 nutricionistas registados na Ordem “poderiam ser
suficientes se estivessem no lugar certo”, Alexandra Bento apontou ainda
a emigração como problema transversal a outros profissionais da saúde.“100
saíram para países da União Europeia e outros 100 para outros países”,
disse a especialista, considerando que é essencial “colocar nutrição no
centro de atuação em saúde publica”.Disse
que na área da promoção de escolhas saudáveis “muito se tem feito”, mas
considerou que, ainda assim, se corre "sempre atrás do prejuízo” e
destacou a importância de controlar o preço dos alimentos.“É
importante controlar porque é um dos determinantes para escolher melhor
e comer melhor”, disse a bastonária, que juntou ainda a necessidade de
insistir na promoção da literacia em saúde, designadamente em saúde
alimentar.“Mas a nossa preocupação vai
para alem do SNS. É preciso ter nutricionistas também nas escola e nos
lares”, afirmou a responsável, que lembrou o concurso para contratação
de 12 destes profissionais para os estabelecimentos de ensino: “É um
início, é salutar e importante, mas claramente insuficiente”.Defendeu
ainda a necessidade de autonomizar a carreira de nutricionista e de
valorizar estes profissionais, “para permitir condições justas e
adequadas para o exercício da profissão”.Sobre
o Orçamento do Estado para 2023, destacou a “maior aposta financeira na
saúde” e a consignação da receita no imposto das bebidas açucaradas
para prevenção, mas diz que tais medidas serão insuficientes se não
forem alocados recursos orçamentais de forma correta, considerando que a
proposta orçamental “pode e deve ser melhorada”.