Pandemia e economia no topo das preocupações da comunidade luso-americana
EUA/Eleições
26 de out. de 2020, 12:37
— Lusa/AO Online
"A prioridade neste momento é pôr as coisas a mexer outra vez, a economia a funcionar", disse à Lusa Rosie Nunes. "Estamos
a ver muitos restaurantes e pequenos negócios a encerrarem por causa do
vírus. Tenho cinco filhos que estão todos em casa a ter aulas via Zoom e
é horrível para o seu estado mental", explicou. A
luso-americana, que tem uma operação agrícola com o marido, não
acredita que seja necessário impor medidas restritivas em relação à
covid-19. "Sim, há um vírus, mas a
pandemia não é real", afirmou. "Não há nenhuma pandemia, isto é tudo por
causa das eleições, tudo para estragar a economia do Presidente Trump,
que era a melhor da história do país", disse. "Isto é um último esforço dos democratas para o fazerem parecer mal para as pessoas votarem neles", adiantou. Rosie
Nunes detalhou que os seus negócios estão a sofrer por causa da
situação. "Não está a correr bem, tem sido difícil. Vendemos sobretudo a
produtores de leite e estes sofreram o impacto da covid", salientou. O
vale de São Joaquim tem uma grande comunidade de origem portuguesa,
maioritariamente proveniente dos Açores e ligada à agricultura. Só na
cidade de Tulare, a comunidade lusa representa mais de 8% da população."Em
termos de covid, penso que estamos a proteger demasiado, por exemplo,
os filhos não podem visitar os pais nos lares, o que para mim é muito
cruel", afirmou Manuel Correia. "Nós portugueses adoramos estar com
outras pessoas e somos os piores a fazer distanciamento social",
reconheceu. O lusodescendente considerou
que "as pessoas que têm problemas de saúde subjacente devem ter
cuidado", mas os outros devem voltar ao normal, de forma a pôr a
economia a funcionar outra vez. Dennis Mederos, advogado, agricultor e vice-‘mayor’ da cidade de Tulare, aborda a questão por outra perspetiva. "No
condado de Tulare estamos com problemas. Os condados à nossa volta
conseguiram limitar as infeções e estão a entrar numa categoria mais
estável que permite a reabertura de mais negócios", disse à Lusa. "Mas Tulare não consegue", lamentou. Mederos
considerou "frustrante" o que está a acontecer no condado, cuja taxa de
novos casos de covid-19 por cada 100 mil habitantes continua demasiado
elevada. "Muitas vezes é o ponto de vista político em relação ao
problema que perpetua as circunstâncias", analisou. A
influência que a crise sanitária tem nas campanhas é incontornável, mas
Mederos sublinhou que "a eleição não vai mudar a pandemia, apenas a
gestão da pandemia". O lusodescendente
considerou que haverá uma forma diferente de gerir a situação se Joe
Biden vencer e houver uma mudança de administração. "Se não houver, parece que a atitude é deixar que siga o seu caminho até se atingir imunidade de grupo", afirmou. "Muitos
cidadãos americanos não estão conscientes de que estamos numa condição
tal que muitos países não nos deixam passar nas fronteiras", salientou.
"É assim que nos veem. Olham para nós como não estando a gerir bem esta
situação. Isto não é uma opinião, é um facto", vincou. Nem todos olham para a questão dessa forma, preferindo enfatizar a destreza do Presidente Donald Trump em matéria económica. "O
que ele fez pela economia foi ótimo. Sabemos que ele é um homem de
negócios, não um político, e está a gerir a administração desse ponto de
vista", afirmou Margaret DoCanto. "Houve ganho de empregos, as empresas
voltaram para os Estados Unidos. A covid prejudicou toda a gente, mas
se ele continuasse o caminho em que nós estávamos em termos de economia,
estávamos bem", considerou. Para Rosemary
Serpa-Caso, que destacou a necessidade de resolver o problema dos
sem-abrigo, ter melhor acesso a saúde mental e reformar o sistema de
imigração, a economia tem de ser enquadrada no bem-estar das pessoas. "A
economia é importante em especial por causa das famílias afetadas pela
covid", disse, considerando que é preciso trabalhar também em questões
como igualdade salarial e de oportunidades de emprego. A
eleição de 03 de novembro irá decidir o próximo Presidente dos Estados
Unidos, entre o incumbente Donald Trump e o democrata Joe Biden, assim
como o controlo da Câmara dos Representantes e do Senado. No
vale central da Califórnia há três candidatos luso-americanos a
assentos na Câmara dos Representantes: Jim Costa pelo 16.º distrito,
David Valadão pelo 21.º e Devin Nunes pelo 22.º.