Pandemia deixa famílias da Madeira que vivem da hotelaria em “situações precárias”
Covid-19
15 de mar. de 2021, 12:39
— Lusa/AO Online
“Há casos em que
marido e mulher ficaram sem trabalho, e essas são situações bastante
preocupantes. Esperamos que, no futuro, caso não consigam emprego,
continuem a beneficiar de apoios sociais, porque precisam de viver com
dignidade”, disse à agência Lusa o responsável do Sindicato da Hotelaria
e Similares da Madeira.Adolfo Freitas considera que “o pior está para vir”, sobretudo quando os “apoios do governo terminarem”.Os
números de queixas no sindicato, enfatizou, aumentaram com a pandemia
de covid-19, porque as “empresas não pagavam a tempo e horas”. Na
retoma, no ano passado, surgiram “casos de violação por parte das
entidades patronais”, nomeadamente no “incumprimento dos horários de
trabalho e alteração dos dias de descanso”.
“As notícias que têm saído é que, a partir de maio, o mercado inglês
vai começar a dirigir-se para a Europa, mais concretamente para
Portugal. Espero que assim seja, porque precisamos urgentemente de
turismo para alimentar a nossa ilha”, vincou o dirigente sindical.Cláudio
Pereira, empregado de mesa, natural do Funchal, não recebe qualquer
rendimento desde setembro de 2020, altura em que o subsídio de
desemprego terminou, após um ano de contrato, e é um exemplo de um
trabalhador que está a sofrer os efeitos da pandemia no setor.
“Eles disseram mesmo que não conseguiriam renovar o contrato com mais
ninguém à conta da pandemia. Tenho a certeza de que, se não fosse isso,
eles iriam renovar comigo e com outros colegas, que também foram
embora”, disse, explicando que saíram do hotel outros cinco colegas.
Para Beatriz Silva, rececionista, o termo da ligação a um hotel
localizado no Funchal foi interrompido “seis meses depois”, com a
“condição de que, quando voltassem a abrir, chamavam”. Porém, a
reabertura, prevista para setembro de 2020, "não aconteceu”.
“Tive direito a subsídio de desemprego, mas não foi fácil, porque só
tinha seis meses de trabalho. A culpa não foi do hotel, porque eles
trataram de tudo para que pudesse usufruir dos meus direitos",
justificou a jovem, que ficou sem rendimentos em novembro.
O setor hoteleiro da Madeira mantém esperança no desconfinamento, em
maio, da Alemanha e da Inglaterra, dois mercados fundamentais para o
turismo da região, para conseguir salvar postos de trabalho.
A hotelaria e as atividades similares vivem dias de angústia, devido à
escassez de turistas na ilha da Madeira, com o nível de quebras a
ultrapassar, na sua grande maioria, os 50% este ano, no qual recebeu já a
distinção de “Destino mais seguro da Europa”.
O diretor do departamento de vendas do grupo Pestana, Jorge Moreira,
acredita que os ingleses “vão começar a viajar assim que tenham a
segunda dose da vacina” e serão o “primeiro mercado a reagir”, mas
admite que a Madeira não será a único destino aliciante para este
mercado: será “pouca gente e um preço muito barato”, a “pagar metade do
que costumavam pagar”. Em relação ao
mercado alemão, considera que será ainda mais difícil (apenas neste
domingo voltou a ser possível viajar para a Alemanha a partir de
Portugal, depois de o país entrar na ‘lista negra alemã’ no final de
janeiro). Segundo o diretor de vendas, o valor da quebra do grupo Pestana em 2020 rondou os 70%.
Já Francisco Nunes, administrador do grupo Aqua Natura Hotels e
Quinta do Furão, no norte da Madeira, acredita que “a curva será
ascendente” quando a “vacina tiver o efeito refletido na sociedade a
nível global” e entende que o confinamento “aguçou o apetite de viajar”,
de tal forma que que não haverá “época baixa”, porque a região
“consegue oferecer no verão e no inverno”, ao contrário de outros
destinos. Francisco Nunes sublinhou que
os efeitos que a pandemia provocou, em “termos económicos e financeiros
nas empresas, levará uns anos a recuperar”, lembrando que, apesar dos
“apoios da índole governamental”, tiveram de “recorrer a financiamentos,
endividando-se".