Pandemia ameaça novo atraso na bolsa de recuperação de fundos comunitários
OE2021
30 de out. de 2020, 18:15
— Lusa/AO Online
Este atraso decorre
do 'bom senso', afirmou o ministro do Planeamento, Nelson de Sousa,
numa audição esta manhã na Comissão de Economia, Inovação, Obras
Públicas e Habitação e Comissão de Orçamento e Finanças, no âmbito de
audições ministeriais para a apreciação na especialidade da proposta de
Orçamento do Estado para 2021 (OE2021)."Em
devida altura pensávamos retomar. Estamos agora confrontados com esta
segunda fase da pandemia e continuamos a agir com bom senso. Na sua
altura devida, havemos de atuar em conformidade. É isso que nos é
pedido, que é com responsabilidade", disse o governante aos deputados.Nelson
de Souza disse que o sistema que foi montado, a bolsa de recuperação,
já tem identificados os casos “em que é necessário atuar” e as situações
que revelam bloqueios na execução dos projetos.A
bolsa de recuperação do Portugal 2020 é um mecanismo de aceleração das
taxas de execução de fundos comunitários, com o objetivo identificar
projetos aprovados mas desconformes ao nível da contratualização e
execução, para proceder à respetiva resolução ou descativação.Os
projetos desconformes são colocados numa lista e notificados para
resolver a sua situação, num prazo determinado, avançando com a
contratação, regularizando o calendário de execução ou apresentando
justificação fundamentada.Segundo a página
de internet do Governo, as verbas de projetos anulados vão ser
utilizadas no lançamento de novos concursos para apoiar novos projetos
em áreas relevantes para o desenvolvimento económico e social do país.Nelson
de Souza, aos deputados, reconheceu ser necessário acelerar até 2023 a
execução de fundos comunitários, mas enalteceu as medidas do Governo,
considerando estar "a responder a tudo aquilo que é necessário",
lembrando que a execução daqueles fundos também depende de Bruxelas.O
ministro lembrou ainda que, "neste período mais complicado dos efeitos
da crise pandémica", sendo aquela bolsa de recuperação um mecanismo com
consequências executivas nos projetos, a suspensão de efeitos executivos
“foi uma questão de bom senso”.Aos
deputados, o governante revelou que, apesar dos obstáculos criados pela
pandemia, acredita ter o quadro financeiro plurianual aprovado até ao
final do ano, "e que os fundos europeus possam estar disponibilizados
logo no início do próximo ano".Nelson de
Souza reafirmou a intenção de dar mais transparência à divulgação dos
dinheiros públicos entregues a empresas publicas e privadas, facultando
informação detalhada sobre beneficiários e programas.