PAN vai votar contra Orçamento por conter "retrocessos preocupantes"
OE2025
16 de out. de 2024, 11:49
— Lusa/AO Online
"A
Comissão Política Nacional do PAN deliberou por unanimidade dos seus
membros o voto contra o OE2025. O PAN reitera o seu compromisso com a
luta pelos direitos dos animais, pela proteção do ambiente e pela
melhoria das condições de vida das pessoas, causas postas em causa pelo
OE apresentado pela AD", de acordo com a porta-voz do partido, Inês
Sousa Real, citada no comunicado.O partido
entende que este é um orçamento "que apresenta retrocessos preocupantes
em várias áreas cruciais" para o futuro do país.“Inaceitável
que em pouco mais de seis meses o Governo de Luís Montenegro tenha
feito retroceder quase uma década de políticas relacionada com a
proteção e o bem-estar animal, ao eliminar do orçamento os apoios
previstos para as autarquias locais, associações de proteção animal e
famílias carenciadas”, refere a porta-voz.O
PAN destaca que o orçamento "elimina por completo as verbas dedicadas à
causa animal", que em 2024 "ascendiam a 13,2 milhões de euros". Uma
decisão que vai colocar associações e municípios "sob uma pressão
extrema, limitando as políticas de captura, esterilização e devolução
(CED) e o apoio às populações mais carenciadas", defendeu. No que diz respeito ao ambiente, o partido mostra-se preocupado que o orçamento "continue a não cumprir a Lei do Clima". "Não
prevê o impacto carbónico das medidas climáticas propostas e reduz as
verbas para a política climática em 23,22%", sublinhou.Além
disso, "a transição climática proposta penaliza as famílias com o
descongelamento da taxa do carbono, que lhes custará 525 milhões de
euros por ano, enquanto as grandes empresas poluidoras continuam a
beneficiar de isenções fiscais". Em
relação ao fundo de emergência municipal, este "permanece nos mesmos
seis milhões de euros, ignorando os estragos causados por fenómenos
extremos como cheias e incêndios".O PAN
apontou ainda que o orçamento vai ao encontro, "ainda que não na
totalidade", de propostas do partido, como o novo regime de IRS Jovem e a
revisão dos escalões de IRS. No entanto, estas "são claramente
insuficientes", notou, referindo que as atualizações fiscais "ficam
aquém da inflação acumulada dos últimos anos e não abrangem os jovens
considerados dependentes, criando uma falsa emancipação fiscal". No
que toca à habitação, a proposta falha em responder às necessidades
urgentes das famílias, considerou o partido, que dirigiu ainda críticas
no capítulo do combate à pobreza energética que "é ignorado", uma vez
que "os limiares de acesso às tarifas sociais de energia permanecem
desatualizados".“Continuaremos firmes,
determinados e intransigentes na defesa destes valores essenciais para
construir um país mais justo, sustentável e compassivo", referiu Inês
Sousa Real, ainda de acordo com o comunicado.No
dia da apresentação do orçamento, a porta-voz do PAN já tinha dito que o
partido dificilmente poderia acompanhar a proposta do Orçamento do
Estado para 2024, porque “põe por terra compromissos ambientais e
compromissos com a proteção animal”.