PAN propõe sistema nacional de cobertura de seguro e fundo para sismos e desastres naturais
20 de fev. de 2023, 11:13
— Lusa/AO Online
Através
de um projeto de lei entregue no parlamento na sexta-feira, a deputada única do PAN propõe “instituir um sistema nacional de
cobertura do risco de fenómenos sísmicos e de desastres naturais e criar
o fundo sísmico e para desastres naturais”, para “proteger todos os
consumidores que, à data de hoje, estão totalmente desprotegidos e que,
no caso de um fenómeno sísmico ou desastre natural, terão de suportar
elevados prejuízos sozinhos”.Inês de Sousa
Real propõe um regime jurídico que estabeleça “o ressarcimento de
prejuízos em frações autónomas ou imóveis destinados a habitação, quando
causados exclusivamente por fenómenos sísmicos - ou por fenómenos
diretamente associados a estes, como erupções vulcânicas, maremotos,
fogo subterrâneo e incêndio deles decorrente – ou por desastres naturais
de grandes dimensões, como cheias, tempestades, incêndios ou
deslizamentos de terra”.“Os prejuízos a
ressarcir serão limitados aos danos patrimoniais ocorridos em bens
imóveis seguros, prevendo-se a cobertura de um montante indemnizatório
por imóvel equivalente ao seu custo de reconstrução ou reparação até ao
limite do capital seguro do contrato”, acrescenta no projeto que, a ser
aprovado, deverá entrar em vigor a partir do próximo ano.A
porta-voz do PAN quer também “a cobertura obrigatória de fenómenos
sísmicos e desastres naturais para os imóveis que estejam cobertos por
contratos de seguro do ramo «incêndio e elementos da natureza» ou
«multirriscos»”.A líder do partido propõe
ainda a constituição de um fundo, incluído neste sistema, “com vista à
acumulação e capitalização de meios financeiros a mobilizar em caso de
ocorrência de um fenómeno sísmico ou de um desastre natural de elevadas
proporções, que se baseia na partilha de responsabilidades entre o
segurado, as empresas de seguros aderentes ao sistema, o fundo e o
Estado (como ressegurador de último recurso)”.“Os
fenómenos sísmicos e os desastres naturais têm um potencial
significativo e preocupante não só de causar um número elevado de perdas
humanas, mas também de prejuízos materiais em bens imóveis (incluindo
habitações), equipamentos sociais e infraestruturas públicas”, adverte o
PAN na exposição de motivos do projeto de lei, apontando que Portugal
“está particularmente exposto” a estes eventos.Inês
de Sousa Real refere que, “não obstante este cenário, a verdade é que
neste momento, de acordo com a Associação Nacional de Seguradoras”, “só
pouco mais de 15% das habitações compradas com recurso a empréstimos
bancários têm proteção de seguro em relação ao risco sísmico”.A
deputada única aponta igualmente que “a cobertura do risco sísmico e
associado a desastres naturais constitui uma cobertura adicional, em
regime facultativo, que nem sempre está na lista de ofertas das
seguradoras e que, quando o está, surge associada a seguros de «incêndio
e elementos da natureza» ou a seguros «multirriscos»”.“Sistema
similar existe noutros países e tem sido, de resto, recomendado pelo
Fundo Monetário Internacional (FMI) e defendido, nos últimos anos, pela
Associação Nacional de Seguradoras e pela DECO. A concretização de tal
sistema está inclusivamente prevista na Estratégia Nacional para uma
Proteção Civil Preventiva 2030, aprovado pela Resolução do Conselho de
Ministros n.º 112/2021, sem que, no entanto, até hoje a sua elaboração
tenha sido assegurada pelo Governo”, refere ainda.