PAN pergunta a Costa quanto tempo as pessoas vão ter as vidas suspensas
18 de out. de 2017, 18:19
— Lusa/AO online
Na última
intervenção do debate quinzenal de hoje, pelo PAN, André Silva quis
saber "que ações está o Governo a providenciar" para que pessoas
afetadas pelos incêndios do fim de semana deixem de ter as vidas
suspensas e "possam voltar à sua vida normal, com rapidez e dignidade"."Queremos
saber o que o Governo irá fazer para alterar a forma como se faz
política em Portugal, nomeadamente para corrigir a promiscuidade na
administração pública, acabar com a evidente proteção dos interesses
instalados na gestão da floresta e dos meios de combate aos incêndios e
para adotar uma política agrícola que defenda as pessoas e os
ecossistemas", questionou ainda o deputado do PAN.Na resposta, o
primeiro-ministro - apesar de confessar não saber "se é politicamente
correto" dizê-lo -, considerou que hoje se está "a pagar o custo de
durante uma década o país ter conseguido reduzir significativamente as
suas áreas ardidas, que tinham uma média anual de 200 mil para uma média
de 70 mil hectares"."Essa redução reduziu a pressão política, a
pressão mediática, a atenção do conjunto do país sobre os problemas
estruturais da floresta. Hoje, muitas das práticas que diz faltarem, já
existiram, mas foram caindo no esquecimento", lamentou.Para
Costa, "foi a brutalidade deste verão, em toda a sua dimensão", que
despertou toda a gente para que seja imprescindível nunca mais se voltar
a esquecer aquilo que a última década foi fazendo esquecer.O
deputado do PAN relatou que nos últimos três dias esteve em vários
concelhos do distrito de Viseu, onde constatou "a banalização do
incumprimento da lei, aceite por todos". "As faixas de segurança
não existem. É comum ver pinheiros e eucaliptos encostados a paredes de
fábricas e ver "mato a entrar pelas cozinhas dentro", contou. Mas,
apesar de se perceber que o Estado, especialmente em alguns municípios,
não tem meios humanos e equipamentos para limpar todos os terrenos de
proprietários incumpridores, “o mínimo que tem que ser assegurado é que o
fogo não atravesse povoações e zonas industriais", defendeu o deputado.António
Costa referiu a este propósito que "as faixas de proteção são
essenciais de cumprir seja nas estradas, seja nas infraestruturas
elétricas, seja à volta das casas". "Quando as máquinas de rasto
ou as motosserras chegarem à floresta para abrirem as faixas que são
necessárias e para repor as faixas de segurança que foram necessárias,
aí ouviremos os proprietários dizer muitas vezes que não podem mexer
naquilo que é deles", adiantou o primeiro-ministro.António Costa quer assim que, no meio rural, seja "clara distinção entre o direito de propriedade e o direito a plantar"."Sim,
há sítios onde não é possível plantar nada, há sítios onde não é
possível plantar aquilo que queremos, mas só aquilo que os planos de
ordenamento florestal permitem", avisou.