PAN e município de Angra do Heroísmo divergem sobre limite de animais em bairros sociais
8 de abr. de 2025, 09:12
— Lusa/AO Online
O partido já
tinha contestado a situação em março de 2024, mas a recente divulgação
nas redes sociais do canil municipal de fotografias de gatos para
adoção, que pertenciam a moradores em bairros sociais, voltou a chamar à
atenção do deputado único do PAN.A Câmara
Municipal de Angra do Heroísmo (PS) está a renovar a habitação social
camarária, com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).Os
habitantes têm de sair das habitações durante as obras e, por vezes, os
senhorios das casas para onde vão temporariamente não aceitam animais.Quando
regressam aos bairros, é-lhes imposto que cumpram o regulamento
municipal, que estipula um número limite de dois gatos ou um cão por
habitação, não sendo aceites animais considerados potencialmente
perigosos.Algumas famílias acabam por ter de entregar no canil os seus animais, que são colocados para adoção.O
deputado único do PAN nos Açores, Pedro Neves, acusou o executivo
camarário de “adotar uma postura que visa infligir um sofrimento
significativo e desnecessário às famílias e aos animais”.“Estamos,
uma vez mais, perante um ato de insensibilidade que resulta num cenário
de incerteza para as famílias e de desprezo para os animais, tratados
como seres descartáveis, reiteradamente, por este município, que ignora
os laços afetivos e o sofrimento que este tipo de situação acarreta.
Exigimos que esta questão seja revista com urgência, sob pena de voltar a
verificar-se e a causar danos no futuro”, afirmou Pedro Neves, citado
em comunicado de imprensa.O deputado disse
que podem estar envolvidos nesta situação “cerca de 200 animais” e
levantou dúvidas sobre a capacidade do canil para os acolher "sem que
haja uma sobrelotação”.Pedro Neves revelou
ainda que o PAN “está a analisar uma denúncia ao Ministério Público”,
alegando que “foram suscitadas dúvidas sobre a legalidade da decisão,
visto poder configurar, ainda que em abstrato, vários crimes de abandono
de animais de companhia, com a cumplicidade da câmara municipal”.O
deputado do PAN anunciou que vai também remeter um ofício ao município,
a solicitar informações detalhadas sobre o número de eutanásias e
adoções realizadas no último ano, e exigir uma revisão urgente das
regras e regulamentos que regem esta situação.Questionada
pela Lusa, a vereadora de Angra do Heroísmo com o pelouro da Habitação
Social, Fátima Amorim, disse que o regulamento, que estipula um número
limite de dois gatos ou um cão por habitação, foi aprovado, por
unanimidade, em assembleia municipal.“As
casas que nós temos são relativamente pequenas e não levam todos os
animais que as pessoas querem ter. As pessoas vão ter os animais que é
possível ter”, afirmou.Fátima Amorim
adiantou que, neste momento, estão no canil municipal “seis cães e oito
gatos” de moradores de bairros sociais, que tinham animais acima do
número permitido e não tinham familiares ou amigos a quem os entregar.A
autarca rejeitou que possam vir a estar nesta situação 200 animais,
lembrando que na maioria dos bairros do concelho já foram realizadas
obras de requalificação.“Não percebo onde é que se vai buscar esse número”, referiu.Fátima
Amorim admitiu que a lei geral fala num número superior de animais por
habitação, mas ressalvou que a legislação prevê que os condomínios
possam estabelecer um limite inferior.“Eu
tive pessoas que me pediram para ter mais um animal e isso foi-lhes
autorizado, porque tinham condições atestadas pelo médico veterinário
para os ter. Temos de ver caso a caso e há um regulamento que refere
como deve ser a vida dentro de um bairro camarário”, revelou.Segundo
a autarca, “os animais têm de ter condições de higiene” e, em algumas
habitações, foram encontradas “situações dramáticas”, que colocavam em
risco os próprios animais.“Tínhamos muitas
queixas na câmara pelo excesso de animais que existia nos bairros, além
de muitas dessas casas estarem destruídas pelo excesso de animais”,
apontou.A vereadora sublinhou que o
município está a fazer “um investimento considerável no parque
habitacional camarário”, insistindo que as pessoas têm de
cumprir regras, “que são claras e transparentes”.“Ninguém
nos veio pedir autorização para ter os animais nas suas casas. Agora
que estamos a fazer um investimento para dar boas condições de
habitabilidade a cada família que vive naquelas habitações, a única
preocupação que vejo é com os animais, não é com as famílias que lá
vivem e com as crianças que lá vivem”, salientou.