PAN e Livre criticam “ausência de reflexão profunda” e de visão sobre reformas estruturais
Estado da Nação
18 de jul. de 2022, 14:05
— Lusa/AO Online
“É com preocupação que
verificamos que há uma ausência de reflexão mais aprofundada sobre as
reformas estruturais que o país precisa de fazer”, afirmou Inês de Sousa
Real em declarações à agência Lusa no âmbito do debate sobre o Estado
da Nação, que decorre na quarta-feira na Assembleia da República. A
deputada única do PAN sublinhou que esperava “mais arrojo, mais
capacidade de decisão e de ação” da parte do Governo em áreas “como o
acesso à habitação”, o emprego, a crise climática, ou a “crise
socioeconómica provocada pela pandemia e que deixou o Serviço Nacional
de Saúde (SNS) numa situação muito difícil”. “Sabemos
que vivemos tempos muito complexos com a guerra na Ucrânia (…), mas
sabemos que isto não exime os Estados-membros [da União Europeia], em
particular Portugal, das suas responsabilidades quer sociais, quer
económicas, mas acima de tudo na transição que tem que existir do ponto
de vista energético e na proteção das populações e da natureza”, vincou.
Inês de Sousa Real destacou a habitação, o
clima, o combate à precariedade, a saúde, a violência doméstica, a
proteção animal e a execução dos fundos comunitários como alguns dos
temas que devem ser prioritários e que geram atualmente maior
preocupação.“Há vários desafios
estratégicos que temos por alcançar, mas o debate continua por não ser
feito, as opções continuam a ser tomadas apenas entre PS e PSD, deixando
à margem todos os restantes partidos e (…), ou somos de facto todos
ouvidos, ou dificilmente vamos conseguir encontrar os consensos
necessários”, sublinhou.Inês de Sousa Real
apelou assim a que “o exercício que foi feito no Orçamento do Estado”
para 2022 – em que o PAN conseguiu incluir 35 propostas – seja “feito ao
longo de todo ano e não apenas em determinados momentos, quando o
Governo quase que procura estar a passar a responsabilidade para outras
forças políticas”. Também em declarações à
agência Lusa no âmbito do debate sobre o Estado da Nação, o deputado
único do Livre, Rui Tavares, considerou que “Portugal tem uma década
para se reinventar”, criticando também a falta de visão e de “sentido de
urgência” da classe política portuguesa.Rui
Tavares relembrou que foi recentemente dado à Ucrânia “o estatuto
formal de candidato à União Europeia”, o que “torna bastante provável
que haja um alargamento na próxima década”. “Com
a entrada desses países na União Europeia (UE), nós teremos a maior
convergência com a média da UE talvez de sempre. (…) Em termos de fundos
europeus, isso poderá significar que passamos a dizer ‘estes são
provavelmente os últimos fundos europeus’, para ter a certeza de que
serão mesmo, nesta dimensão, os últimos”, sublinhou. Rui
Tavares defendeu assim “Portugal tem uma década para se reinventar”,
sendo esta “muito provavelmente a última oportunidade” que o país tem
para “dar o pulo” e ser “uma economia e uma sociedade e vanguarda na
UE”.“A pergunta que se devolve é se esse
sentido de urgência se sente nos nossos maiores partidos, se sente no
Governo do nosso país, se sente nos órgãos de soberania? Francamente,
acho que é evidente que não se sente”, criticou Rui Tavares.Para
o deputado do Livre, “parece que a política portuguesa, nomeadamente ao
nível dos grandes partidos e das elites, anda perdida nos seus casos e
casinhos de todos os dias, sem nenhuma visão” de médio ou longo prazo.Rui
Tavares realçou que o Livre gostaria de ver essa urgência para
“garantir que a economia portuguesa passa a ser uma economia do
conhecimento e da descarbonização, com alto valor acrescentado, que
permita subir salários” e que “marque a agenda numa série de domínios”,
como “na preservação dos ecossistemas” ou “nas políticas públicas de
qualidade”.