PAN acusa PSD e CDS de serem veículo para crescimento do Chega
6 de nov. de 2020, 18:42
— Lusa/AO online
“Se
o CDS, se o PSD entendem que devem normalizar o discurso e a postura de
partidos que têm os valores e a mundivisão do Chega, se entendem que
devem, nos Açores neste caso em concreto, servir de veículo e de
plataforma para o crescimento de um partido que nós consideramos que tem
valores e uma mundivisão não democrática, não contem com o PAN”,
afirmou André Silva.Em declarações aos
jornalistas na Assembleia da República, em Lisboa, o líder do
Pessoas-Animais-Natureza estabeleceu que essa “é uma linha vermelha”
para o seu partido.“Não tem que ver com a
formação de um governo daqueles três partidos em concreto, que são três
partidos do campo democrático [PSD, CDS e PPM], e que jamais
inviabilizaríamos uma solução governativa, mas neste caso concreto não
podemos viabilizar uma solução de governo cuja estabilidade depende
sempre ou dependeria sempre de uma força antidemocrática”, esclareceu.A
Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores integra 57
deputados e terá pela primeira vez oito forças políticas representadas.O
PS elegeu 25 deputados e perdeu a maioria absoluta que detinha há 20
anos na região, e esta semana PSD, CDS-PP e PPM anunciaram uma "proposta
de governação profundamente autonómica", um "governo dos Açores para os
Açores" e com "total respeito e compreensão pela pluralidade
representativa do povo".Hoje, o Chega
anunciou que “vai viabilizar o governo de direita nos Açores”, após ter
chegado a um acordo com o PSD em “vários assuntos fundamentais” para a
Região Autónoma e para o país.PSD, CDS-PP e
PPM somam 26 deputados, juntando-se agora o apoio dos dois do Chega,
faltando um voto para garantir a maioria absoluta de 29 parlamentares. O
PAN elegeu um deputado nas eleições de 25 de outubro.“O
PAN está disponível, como sempre esteve disponível, para se encontrar
uma solução de estabilidade parlamentar, e não contribuiria jamais, não
contribuirá para um cenário de eleições antecipadas, nem para um cenário
de instabilidade”, garantiu hoje o porta-voz, ressalvando, no entanto,
que isso “não pode ser feito a qualquer custo”.De
seguida, André Silva reiterou que “o PAN não viabilizaria nunca um
governo que depende” de um partido “que é do campo não democrático”,
como já tinha dito o porta-voz do PAN/Açores, Pedro Neves.Na
ótica do PAN, “o Chega traz ao país, traz ao mundo político valores
antidemocráticos, traz discriminação, traz intolerância, traz no fundo
retirar direitos aqueles que menos podem e, portanto, o que esta solução
vem ditar nos Açores é uma normalização, é uma tolerância total para
com este campo político não democrático”.André
Silva sublinhou que o PAN demarca-se “totalmente e não entra neste jogo
nem na viabilização de um governo que, no fundo, coloca em causa
aqueles que são os valores democráticos que tanto nos custaram
alcançar”.O representante da República
para a Região Autónoma dos Açores, Pedro Catarino, começa hoje a ouvir
os partidos que elegeram deputados à Assembleia Legislativa açoriana,
tendo em vista a indigitação do futuro presidente do Governo Regional.A
lei indica que o representante da República no arquipélago nomeará o
novo presidente do Governo Regional "ouvidos os partidos políticos"
representados no novo parlamento açoriano.