PAN/Açores questiona Governo sobre financiamento público da tauromaquia
10 de jan. de 2025, 12:30
— Lusa/AO Online
Num
requerimento enviado ao executivo Regional, o porta-voz
e deputado único do PAN no parlamento açoriano, Pedro Neves, sustentou
que o "Governo patrocina um evento que está em contraciclo mundial, que
representa um ato de desespero do setor, que apenas sobrevive à custa do
erário público".Em causa está, em
concreto, o patrocínio da região ao 4.º Fórum Mundial da Cultura
Taurina, a realizar no final do mês na ilha Terceira, aponta o partido.O
4.º Fórum Mundial da Cultura Taurina vai decorrer de 24 a 26 de
janeiro, na ilha Terceira, um evento internacional onde será debatido o
futuro da Tauromaquia e conta com o apoio do Governo Regional,
municípios de Angra do Heroísmo e Praia da Vitória, entre outras
entidades.Para o PAN/Açores, o fomento
deste género de eventos constitui "um claro retrocesso nos esforços pela
promoção do bem-estar animal e evolução da sociedade de acordo com os
valores éticos e morais contemporâneos"."Por ano, mais de 19 milhões de euros dos contribuintes portugueses são destinados à tauromaquia", criticou o PAN em comunicado.O
PAN/Açores questionou o valor das verbas provenientes do erário público
regional que se destinam ao financiamento, direto e indireto, do setor,
que "apenas sobrevive à custa dos apoios públicos, fazendo do Governo o
principal responsável pela manutenção de um setor subsidiodependente".O
partido manifestou, ainda, o seu repúdio e lamentou o fomento de
solenidades cujo intuito "é delinear estratégias para perpetuar a
sobrevivência de uma tradição que inflige sofrimento".Pedro
Neves, citado na mesma nota de imprensa, exigiu "maior equidistância do
Governo em relação ao ‘lobby’ da tauromaquia", defendendo que o
executivo "deve, no mínimo, assumir uma posição neutra, deixando de
privilegiar uma atividade altamente dependente do orçamento público que
não reflete a identidade açoriana e cuja legalidade é duvidosa perante o
quadro legislativo vigente", visto que colide "com todos os preceitos
legais de bem-estar animal".Apesar das
"falsas afirmações públicas de que as críticas à tauromaquia estão a
diminuir, a realidade é que a oposição a esta prática assiste a um
severo crescimento, especialmente entre os mais jovens, que rejeitam a
normalização da violência animal, porquanto, é inegável o movimento
mundial abolicionista desta prática", acrescentou o partido.