PAN/Açores quer facilitar acesso à Interrupção Voluntária da Gravidez na Região
29 de jan. de 2025, 15:23
— Lusa/AO Online
O
documento entrou na Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos
Açores, com “pedido de urgência”, segundo um comunicado do partido.“A
falta de informação adequada e o medo do julgamento social contribuem
para que o debate sobre a IVG permaneça envolto em tabus. Porquanto, é
fundamental garantir que todas as mulheres tenham acesso a cuidados de
saúde reprodutiva adequados e respeitosos, sem discriminação ou
estigmatização. O conhecimento é a chave para empoderar as mulheres e
garantir que possam exercer os seus direitos de forma plena e
informada”, afirma o deputado único do PAN açoriano, Pedro Neves, citado
na nota.O PAN/Açores explica que o
projeto de resolução “visa combater a iliteracia e estigmatização da
saúde sexual reprodutiva feminina, especialmente os obstáculos colocados
no acesso à IVG, enquanto direito de saúde feminina, cujo exercício vem
sendo violado, de forma reiterada, na Região, consubstanciando uma
forma de discriminação de género com maior impacte nas pessoas mais
vulneráveis devido à escassez de recursos e informação”.A
saúde sexual reprodutiva feminina “está intrinsecamente ligada aos
direitos humanos: direito à vida, à saúde, à privacidade, à educação e à
proibição de discriminação”, defende.Na
opinião de Pedro Neves, “negar o acesso à IVG constitui uma afronta à
dignidade humana, sem prejuízo de conservar o desconhecimento e
alimentar o estigma, perpetuando um ambiente de medo e constrangimento
que desencoraja o diálogo aberto, cultivando o sentimento de culpa por
quem tenta recorrer ao procedimento médico de forma legal”.O
parlamentar único do PAN lembra que é público que o Hospital de Santo
Espírito da Ilha Terceira “não realiza IVG há largos anos”, o Hospital
da Horta (Faial) “não efetua o procedimento há diversos meses” e o
Hospital do Divino Espírito Santo (Ponta Delgada, São Miguel) “apenas
executa IVG a mulheres provenientes das ilhas de São Miguel e Santa
Maria”.“Com isto, as mulheres açorianas
enfrentam longos períodos de espera para realizar este procedimento,
sendo obrigadas a deslocar-se para hospitais ou clínicas fora do
arquipélago, sem suporte familiar - situação confirmada pelo próprio
Governo [Regional] a requerimento do partido”, acrescenta.Segundo
o partido, “como forma de evitar os constrangimentos fruto dos
sucessivos entraves, aumenta o risco e perigo do recurso à realização de
IVG clandestinas e gravidezes indesejadas, considerando-se uma forma de
violência de género”.O PAN/Açores
recomenda ao executivo de coligação (PSD/CDS-PP/PPM) o desenvolvimento
de campanhas de sensibilização junto dos estabelecimentos de ensino
superior, que visem o combate à estigmatização e iliteracia sobre a
saúde feminina, bem como a divulgação de informação nas unidades de
saúde e hospitais da Região.Considera
ainda fundamental promover o acesso rápido a apoio psicológico para as
mulheres que tencionem realizar este procedimento e incluir a discussão
sobre a IVG nas consultas de planeamento familiar.