PAN/Açores preocupado com alegada incapacidade dos serviços de saúde para realizar IVG
21 de mar. de 2023, 12:23
— Lusa/AO Online
Numa nota de
imprensa, o partido adianta que a representação parlamentar do
PAN/Açores entregou um requerimento na Assembleia Legislativa Regional
dirigido ao executivo (PSD/CDS-PP/PPM) com várias questões relativas "a
falhas" do SRS na resposta à realização de procedimentos de IVG.O
PAN/Açores lembra que foi um "marco na saúde" e "nos direitos do sexo
femino" a descriminalização da Interrupção Voluntária de Gravidez, que
ocorreu em Portugal em 2007, e possível desde que realizada até a décima
semana de gestação. No caso dos Açores, e
ao consultar os dados relativos aos indicadores de saúde na região, o
partido diz ter detetado "lacunas de informação nos procedimentos de
IVG, em especial para o ano de 2022, período para o qual não existem
dados". "Para agravar o cenário, ao
consultar o relatório Indicadores de Saúde, verifica-se que no Hospital
do Santo Espírito da ilha Terceira nenhuma utente, dentro da área de
referência da instituição, conseguiu realizar o procedimento na sua área
de residência, sendo, segundo dados oficiais, encaminhada para serviços
de saúde no continente", aponta o PAN nos Açores.O
requerimento do deputado do PAN/Açores no parlamento açoriano, Pedro
Neves, refere ainda que o partido "está preocupado com as notícias que
dão conta que durante 2022, em toda a região, só no Hospital da Horta
era possível realizar procedimentos de IVG". Citando
o relatório Indicadores de Saúde, publicado em janeiro de 2023, o
partido refere que em "2021 foram realizadas cerca de 154 Interrupções
Voluntárias da Gravidez na região".Desse
valor global, "84 procedimentos foram realizados no Hospital do Divino
Espírito Santo", em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, "50 no
Hospital do Espírito Santo da ilha Terceira" e "20 no Hospital da
Horta", no Faial, acrescenta o partido."A
dispersão geográfica afeta a dificuldade no acesso a cuidados de saúde
nas ilhas sem hospital e os constrangimentos em fixar médicos da área de
ginecologia/obstetrícia, conjuntamente com as declarações de objeção
de consciência, obstaculizam o exercício do direito à saúde reprodutiva
dos indivíduos do sexo feminino", alerta o PAN. No
requerimento, o partido solicita dados atualizados e reais sobre o
número de IVG realizados, em 2022, nos hospitais do Serviço Regional de
Saúde, bem como o motivo para o elevado número de utentes açorianas
reencaminhadas para instituições de saúde no continente. O
PAN/Açores defende ainda que se deverá esclarecer qual o número de
médicos especialistas na área da ginecologia/obstetrícia que se
encontram a prestar serviço nos três estabelecimentos hospitalares do
Serviço Regional de Saúde e quantos deles declaram objeção de
consciência para a prática de IVG. Citado
numa nota de imprensa, o deputado Pedro Neves sublinha que "o acesso à
IVG é um direito humano" e "é responsabilidade das entidades
governativas conferir e facultar, às mulheres açorianas, o acesso pleno à
saúde sexual e reprodutiva e garantir os meios necessários ao exercício
destes direitos".