PAN/Açores pede esclarecimentos sobre abate de árvores em São Miguel
Hoje 14:59
— Lusa/AO Online
Segundo um comunicado do partido, o requerimento da representação parlamentar do PAN/Açores foi apresentado “na sequência de uma petição pública subscrita por um conjunto de cidadãos que denuncia o alegado abate de cerca de duas dezenas de árvores centenárias, bem como de outras de porte médio e pequeno, localizadas na via pública, no Cerrado das Covas, no âmbito da construção da variante a Capelas”.O partido quer obter esclarecimentos do executivo regional de coligação “quanto ao efetivo número” de árvores que serão abatidas não só no nó do Cerrado das Covas, mas em todo o projeto, assim como o seu estado fitossanitário e as “alternativas estudadas pela tutela ao corte destas árvores - como o seu transplante ou alteração do traçado”.O PAN refere que “nas peças do projeto há menção ao corte de várias espécies de árvores de grande porte, castanheiros, carvalhos, plátanos, acácias, pomares de citrinos e amoreiras, etc., e em algumas zonas não é possível identificar o número (…) alvo de abate”.Considerando este impacte, “o quadro legislativo prevê a possibilidade de o traçado ser ajustado evitando danos ambientais irreversíveis”, defende.O partido também pretende aferir “como será compensado o impacte ambiental do abate de centenas de árvores de elevado valor ecológico”, bem como as medidas adotadas para “mitigar o impacte no morcego dos Açores - a única espécie endémica de morcego na região, cuja população está classificada como estando criticamente em perigo, e que se abriga, sobretudo, em troncos de árvores, sendo provável a sua presença naquela zona”.“O abate destas árvores provocará um impacte ambiental irreversível, que não será compensado por plantações futuras ou por medidas meramente mitigadoras”, afirma o deputado único do PAN, Pedro Neves, citado na nota.O parlamentar exige “transparência, responsabilidade e uma avaliação rigorosa das alternativas possíveis”.“O desenvolvimento infraestrutural não pode ser feito à custa da destruição de elementos naturais que constituem parte integrante da identidade e da qualidade de vida da comunidade local”, afirma.A construção da variante às Capelas representa um investimento total que ultrapassa os 46 milhões de euros, maioritariamente financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).A nova variante, que deverá estar concluída em setembro de 2026, terá uma extensão de 8,3 quilómetros (km), acrescida de uma ligação de 1,4 km à vila, e foi projetada para conectar as vertentes norte e sul da ilha de São Miguel, ligando Ponta Delgada à zona noroeste e às Capelas.