PAN/Açores diz que melhor homenagem é continuar trabalho dos fundadores da autonomia

Hoje 16:34 — Lusa/AO Online

“A autonomia nasceu de uma ideia muito simples e muito poderosa: os açorianos devem ter voz sobre o seu próprio destino. E 50 anos depois devemos ter a coragem de perguntar: O que fazemos hoje com essa voz? Porque a melhor homenagem que podemos prestar aos fundadores da nossa autonomia não é apenas recordar aquilo que fizeram, é continuar aquilo que começaram”, afirmou Pedro Neves.O parlamentar discursava na Assembleia Legislativa dos Açores, na Horta, na ilha do Faial, na sessão que assinala os 50 anos da sua reunião inaugural, com a presença de José Pedro Aguiar-Branco, presidente da Assembleia da República.E prosseguiu: “É utilizar a autonomia para combater a pobreza e as desigualdades. Para garantir que nascer numa ilha pequena não significa ter menos oportunidades. Para proteger o nosso mar, a nossa terra e a biodiversidade que tornam estas ilhas únicas. Para cuidar dos nossos animais. Para preparar os Açores para as alterações climáticas. Para garantir saúde, educação e habitação dignas.”Na sua opinião, a autonomia também deve servir para se construir uma região onde os jovens “possam escolher ficar e não sejam obrigados a partir”.A autonomia também “não pode significar fecharmo-nos sobre nós próprios. Somos profundamente açorianos e somos portugueses. E essas duas identidades não se diminuem: completam-se”, afirmou Pedro Neves.No início do discurso, o deputado lembrou que há 50 anos, neste dia, os Açores “davam um passo que mudaria para sempre a sua história”“Pela primeira vez, os açorianos tinham um parlamento seu. Um lugar onde as decisões sobre estas ilhas poderiam ser discutidas por quem aqui vivia, por quem conhecia a nossa realidade e por quem tinha recebido diretamente dos açorianos a responsabilidade de os representar”, disse.“Hoje é, por isso, um dia de celebração, mas é também um dia de gratidão. Gratidão para com aqueles que, independentemente das suas diferenças políticas, tiveram a coragem de construir as instituições da nossa autonomia. Aos 43 deputados daquela primeira Assembleia Regional, aos que defenderam a autonomia antes de ela existir e a todos os que, ao longo destes 50 anos, ajudaram a consolidá-la”, sublinhou.Segundo o parlamentar único do PAN, muito mudou desde 1976, mas há algo que permanece profundamente atual, a razão pela qual os Açores quiseram ser autónomos.“Não quisemos autonomia simplesmente para termos um Governo e um parlamento próprios. Quisemos autonomia porque viver em nove ilhas no meio do Atlântico é diferente. Porque durante demasiado tempo decisões tomadas a milhares de quilómetros não compreenderam as dificuldades, as necessidades e também as enormes potencialidades destas ilhas”, disse.