PAN/Açores defende alteração do sistema de avaliação na Administração Pública
1 de set. de 2022, 12:40
— Lusa/AO Online
Numa nota informativa, o partido considera que
as quotas de avaliação são "um mero mecanismo de contenção salarial e
não um verdadeiro instrumento avaliativo"."Os
dados estatísticos não demonstram melhorias significativas na
Administração Pública Regional através da implementação deste sistema de
quotas de avaliação", justifica o PAN/Açores, assinalando que, no
modelo atual, "apenas uma percentagem muito reduzida pode ter a
avaliação qualitativa mais elevada".Isto, segundo o PAN, gera "uma situação de injustiça com reflexos na progressão laboral". Além
disso, "um serviço da Administração Pública Regional pode obter a
qualificação mais elevada – excelente -, mas apenas uma percentagem dos
trabalhadores nele inserido e que contribuíram para essa avaliação podem
obter igual classificação", lê-se no comunicado.O
PAN sustenta que "Portugal, a par da Alemanha, é dos poucos países da
União Europeia que adotou o atual sistema, obsoleto, assente em quotas
de avaliação, em que a análise qualitativa do desempenho dos
funcionários está, desde logo, condicionada por uma quota imposta pelo
Governo".Citado na nota de imprensa, o
deputado único do PAN no parlamento açoriano, Pedro Neves, alerta também
que "nem os serviços nem os dirigentes possuem quotas de avaliação de
excelência". "O Governo define quantos
trabalhadores podem ter a nota de desempenho 'Excelente'. É
desencorajador ingressar na administração pública quando se sabe, desde
logo, que o mérito de pouco vale. Este sistema é um disfarce à contenção
salarial, envolto em secretismo, que limita a progressão profissional”,
afirma Pedro Neves. Para o PAN/Açores, "o real mérito do trabalhador está em crise", assim como os seus "direitos".Devido
ao sistema vigente, os trabalhadores "desconhecem a fundamentação da
qualificação da avaliação excelente, fruto do caráter secreto do
procedimento", critica ainda o PAN/Açores.Por
isso, acrescenta o partido, "instalou-se um sentimento de descrença e
suspeição entre os funcionários públicos, incrementado pelo caráter
sigiloso do procedimento de avaliação"."A
ausência de publicitação dificulta a transparência do procedimento,
tornando-o mais pernicioso à ocorrência de favorecimentos arbitrários",
diz ainda o partido.