PAN/Açores contra suspensão do PDM da Ribeira Grande para novo hotel e campo golfe
12 de out. de 2022, 15:40
— Lusa/AO Online
"É inconcebível que,
entre as pretensões da suspensão do PDM esteja, além de um hotel 5
estrelas e “Villas”, a construção de um novo campo de golfe, quando os
três já existentes na região têm sido recorrentemente subsidiados pelo
Governo Regional para se manterem em atividade, e sempre com prejuízos
financeiros para a região", aponta o partido, numa nota de imprensa.O
PAN/Açores sublinha que a decisão "é ainda agravada pelo facto de o
empreendimento turístico vir a ser construído junto à Reserva Natural da
Lagoa do Fogo", um dos principais pontos turísticos de São Miguel. Segundo
o partido, o organismo municipal justifica "a suspensão do PDM" com "o
elevado impacto económico que será gerado" pelos com investimentos
turísticos, "sem ousar, em qualquer momento, abordar o impacto ambiental
desta decisão e deste tipo de construções contíguas a uma Reserva
Natural". “Fica patente que os interesses
económicos continuam a sobrepor-se aos interesses das comunidades e da
preservação ambiental”, aponta o deputado único do PAN no parlamento
açoriano, Pedro Neves.Para o deputado, não
se pode permitir que "os órgãos executivos permaneçam à mercê das
pressões do poder empresarial para encaixar o PDM aos projetos
financeiros”. No entender do partido,
"esta decisão, agora de âmbito autárquico", é "mais uma evidência de que
o turismo de natureza dos Açores se assume paulatinamente como uma
miragem e que a gestão sustentável do património natural e do fluxo
turístico não está na agenda dos governantes", embora seja
"recorrentemente apregoado e promovido". “Não
podemos assentir nem permanecer calados quando o nosso património
natural continua a ser explorado e delapidado, sem que se avalie todas
as suas consequências, que poderão ser irreversíveis, em nome de um
turismo muito pouco inclusivo.”, defende Pedro Neves, citado na nota de
imprensa.A “suspensão Parcial do Plano
Diretor Municipal da Ribeira Grande e Estabelecimento de Medidas
Preventivas” foi publicada no Jornal Oficial (JO) dos Açores. Na
publicação, indica-se “que o prazo de vigência da suspensão parcial do
PDM e de aplicação das respetivas medidas preventivas seja de dois anos,
prorrogável por mais um, caducando com a entrada em vigor da revisão do
PDM”. Durante aquele prazo “a suspensão
parcial do PDM é aplicável na “Área Turística da Lagoa do Fogo”, “Área
Turística do Pico Vermelho” e “Área Turística do Campo de Golfe da Lagoa
do Fogo”.No JO, a autarquia descreve que,
“recentemente a empresa Água de Fogo – Sociedade de Exploração
Turística, Lda., apresentou ao município um projeto de investimento que
tem como objetivo a exploração de uma unidade hoteleira”.“A
localização do referido empreendimento foi definida e justificada como
sendo a única solução inserida em terreno classificado pelo atual PDM
como Área Turística, com dimensão suficiente e necessária para a área de
construção do empreendimento turístico”, justifica. A
solução aponta “para um conjunto de terrenos entre o Pico Vermelho e a
Barrosa, freguesia da Conceição e Ribeira Seca com acesso pela Estrada
Regional da Lagoa do Fogo, junto ao Pico Vermelho, numa área aproximada
de 843.319 metros quadrados”, assinala. De
acordo com a Câmara, a solução “garante que os atuais índices
construtivos permitidos pelo PDM não são ultrapassados em nenhuma
hipótese”, estando em causa “o primeiro projeto turístico em Portugal (e
um dos primeiros na Europa) cujo processo de projeto e construção será
certificado em Sustentabilidade de acordo com as normas do GSTC (Global
Sustainable Tourism Council) da ONU”.