PAN/Açores alerta que SATA “não pode estar ao serviço de interesses políticos”
12 de dez. de 2024, 10:30
— Lusa/AO Online
“A SATA,
pelo que representou e continua a representar no combate ao isolamento
açoriano, é um marco na nossa história autonómica, não devendo estar ao
serviço de interesses políticos, mas sim da população açoriana”, afirmou
o deputado do PAN no parlamento açoriano, na Horta, durante uma
declaração política.Pedro Neves destacou a
situação económica do grupo SATA, que apresenta “capitais próprios
negativos” e a maior dívida financeira entre as empresas públicas
regionais, com um passivo de 255 milhões de euros.Evocando
dados Conselho de Finanças Públicas relativamente à análise do setor
empresarial regional entre 2022 e 2023, o deputado realçou que a SATA
Holding regista uma dívida de 200 milhões, a SATA Air Açores de 55
milhões de euros e a SATA Internacional/Azores Airlines (que está sob um
processo de privatização) de 223 mil euros.“Quer
isso dizer que o passivo da SATA Internacional – que motivou a sua
privatização - foi imputado à SATA Holding e que vamos vender a
Internacional por volta de 20 milhões de euros e continuar a pagar a
dívida de mais de 600 milhões de euros”, criticou.E
acrescentou: “Esta venda irá dar aos cofres da região menos 580 milhões
de euros. Perante isto, como pode a Comissão Europeia não estar
satisfeita?”.Pedro Neves defendeu que o
Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) deve “trabalhar de forma árdua na
reestruturação da empresa”, não só para “garantir a continuidade de
operação”, como para “minimizar o esforço financeiro da região”.No
debate, o secretário das Finanças, Planeamento e Administração Pública
reiterou que existe uma “via de diálogo aberta” entre a administração da
SATA e o único consórcio admitido à privatização da Azores Airlines,
garantindo a “transparência” do processo.“Isso está a ser feito com toda a lisura”, asseverou Duarte Freitas.O
secretário regional lembrou que a Comissão Europeia se mostrou
satisfeita com o curso da alienação da companhia aérea e acusou o PS de
“inveja pelo sucesso da governação”.“É
evidente que nem tudo vai correr bem, mas o desastre dos círculos
socialistas não pode ser resolvido de um momento para o outro”,
reforçou.Já Carlos Silva (PS) criticou a
falta de transparência, denunciando que o processo de privatização “foi
retomado agora às escondidas com critérios que não se conhecem”.O
social-democrata Paulo Simões sublinhou que o PS é o responsável pelo
“buraco” da SATA, lembrando o período de governação socialista na região
(1996 a 2020), enquanto Pedro Pinto (CDS-PP) destacou a “firme
determinação” do executivo em “privatizar a Azores Airlines e salvar a
SATA Air Açores”.O líder do Chega/Açores
avisou que a SATA “está a levar o dinheiro todo da região” e apresentou
duas soluções para a Azores Airlines: “ou é feito um negócio conjunto
com a TAP ou fecha-se de vez”.António
Lima, do BE, acusou o executivo regional de falta de credibilidade por
ter retomado o processo de privatização “sem dar cavaco a ninguém”.