PAN/Açores acusa presidente do Governo Regional de "hipocrisia" sobre taxa turística
20 de dez. de 2022, 14:14
— Lusa/AO Online
Em comunicado, o
PAN, cujo deputado na Assembleia Legislativa Regional foi o proponente
da taxa turística regional aprovada em abril e revogada na quinta-feira,
sustenta que “a luz verde do presidente do Governo Regional à criação
de uma taxa turística pelos municípios revela hipocrisia nos argumentos e
retórica utilizada na contestação da taxa regional”.“Quando
dizia ‘este não é o tempo’ queria dizer, na verdade, ‘este não é o
proponente’. Está mais do que visto que este sempre foi um problema de
forma e não de conteúdo”, indicou Pedro Neves, citado no comunicado.Na
segunda-feira, o líder do executivo açoriano, José Manuel Bolieiro,
defendeu que esta “não era a melhor” altura para criar uma taxa
turística regional, admitindo que os municípios da região podem
implementar a taxa.“Com a revogação da
taxa turística regional e possibilidade de criação municipal desta
tributação, já não se ouvem as vozes contestadoras do impacto negativo
que a sua aplicação terá na consolidação do destino Açores”, assinalou o
deputado Pedro Neves.O parlamentar
observou que, “desde o anúncio público da iniciativa legislativa do
PAN/Açores que visava criar uma taxa turística de âmbito regional, não
tardou a emergir um ataque concertado, de âmbito político e empresarial,
com manifestas pressões para reverter a aplicação da taxa turística
regional”. “Este conluio acabou por dar
frutos com a aprovação da iniciativa que revoga o Decreto Legislativo
Regional do PAN/Açores, impedindo, desta forma, a entrada em vigor da
taxa turística regional em janeiro [de 2023]”, lamentou. De
acordo com o parlamentar, a retórica utilizada para contestar a
aplicação da taxa turística sai lesada com as declarações de Bolieiro e
do presidente da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores
(AMRAA).O deputado considerou ter ficado
“claro que, ao proporem e assumirem a possibilidade de os municípios
instituírem uma taxa turística, a aversão à criação da taxa turística
regional nunca se prendeu, verdadeiramente, com as circunstâncias
económicas atuais e o impacto que esta tributação possa vir a surtir na
consolidação do setor”. O partido estranha
a “ausência de manifestação pública” de entidades como a Associação da
Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal e a Associação de
Alojamento Local dos Açores, “quando durante o processo legislativo
referente à criação taxa turística regional se insurgiram freneticamente
contra a sua criação”.Agora, disse,
“permanecem inertes perante a possibilidade de se aplicar uma taxa da
mesma natureza, mas multiplicada por 19 municípios".Na
edição de hoje do jornal Açoriano Oriental, o presidente da AMRAA diz
que a associação “vai debater, na próxima ou em próximas reuniões
intermunicipais, a possibilidade de as autarquias da região
implementarem uma taxa turística”.A
Assembleia Legislativa dos Açores aprovou na quinta-feira uma proposta
do Chega para revogar o decreto legislativo que previa a entrada em
vigor de uma taxa turística regional a partir de 01 janeiro de 2023.
A iniciativa contou com 20 votos a favor do PSD, três do CDS-PP, dois
do PPM, um do Chega, um da Iniciativa Liberal (IL) e um do deputado
independente (ex-Chega) e 24 votos contra do PS, dois do BE e um do PAN,
durante o plenário do parlamento açoriano, que decorre na Horta.A
criação de uma taxa turística nos Açores tinha sido aprovada em abril,
com 29 votos a favor, do deputado único do PAN, autor da versão inicial
do documento, do PS (25 deputados), BE (dois) e do deputado independente
(ex-Chega).O deputado da Iniciativa
Liberal, o deputado do Chega e as bancadas dos partidos do Governo
Regional, que somam 28 parlamentares, votaram contra.