PAN abstém-se e garante aprovação da proposta do Governo
OE2021
26 de nov. de 2020, 11:37
— Lusa/AO Online
O anúncio foi feito pela líder parlamentar do
PAN, Inês Sousa Real, em conferência de imprensa na Assembleia da
República, em Lisboa, na qual destacou que o partido viu aprovadas "50
propostas de alteração" em sede de especialidade."Pelo
caminho que foi feito e por estas conquistas do PAN em sede de
especialidade, o PAN vai viabilizar o orçamento com a sua abstenção",
afirmou, explicando que não vai mais longe "porque evidentemente que
ainda há aqui um caminho a fazer".Apesar
de a proposta de OE2021 ser um documento "claramente diferente" daquele
que entrou no parlamento, depois dos contributos dos partidos, a
deputada ressalvou que "não é um orçamento que dê resposta totalmente"
às reivindicações do seu partido, e "há algumas matérias qua ainda
distanciam" o PAN e o Governo.Neste ponto,
lamentou que não tenham sido aprovadas propostas como o fim das
isenções relacionadas com o imposto sobre os produtos petrolíferos, as
"contrapartidas ambientais para a TAP" ou a "renegociação das parcerias
público-privadas rodoviárias", apontando que "há algumas linhas
vermelhas que continuam a estar traçadas"."No
entanto, feito o balanço e a avaliação daquilo que é a responsabilidade
e o sentido de Estado que todos devemos ter neste momento em dar
respostas ao país, não será pelo PAN que este orçamento não será
viabilizado, e que não iremos trilhar aqui um caminho para termos
respostas sociais mais justas e adequadas ao momento complexo que
vivemos", realçou a deputada, rejeitando um "regresso à austeridade".Inês
Sousa Real considerou também que o OE2021 - que é "um dos orçamentos
mais relevantes" dos "últimos tempos" devido à crise pandémica - está
"mais próximo das reivindicações de várias forças políticas", sendo
agora "um documento do parlamento, e que conta também com a marca do
PAN"."Manifestamente mais melhorado e em
linha com as necessidades e desafios que enfrentamos", destacou
igualmente, defendendo que o OE2021 "não podia ser um orçamento de mera
continuidade, mas sim um orçamento de transição para modelos de
desenvolvimento mais justos e sustentáveis, capazes de dar respostas
socioeconómicas que o país precise, mas também que respeite o ambiente e
que olhe de outra forma para os animais".Entre
as propostas que foram aprovadas, a líder parlamentar do PAN destacou,
entre outras, a aprovação da avaliação ambiental estratégica sobre o
novo aeroporto do Montijo, de medidas de apoio social e relacionadas com
as pessoas em situação de sem-abrigo, de uma verba de 10 milhões de
euros para a área dos direitos dos animais, da contratação de
veterinários para o ICNF, de um portal da transparência sobre os fundos
europeus, e ainda da taxa de carbono que reverte para o fundo ambiental.Indicando
que o caminho foi de "aproximação", Inês Sousa Real apontou ainda a
existência de diálogo e abertura para "trabalhar em conjunto", com o
Governo, também em matérias que não constam no OE2021.Depois
de ser conhecido que PCP, PEV e a deputada não inscrita Cristina
Rodrigues (ex-PAN) vão abster-se na votação final global do do OE2021,
eram necessárias pelo menos mais duas abstenções para que a proposta
fosse aprovada.A bancada do PAN é constituída por três deputados, pelo que o seu voto permite a aprovação do orçamento.O
PS, com 108 deputados, precisa de oito votos a favor de outras bancadas
ou de 15 abstenções para fazer passar o orçamento. BE, PSD, CDS-PP,
Chega e IL já indicaram que vão votar contra.