Palhinhas são o material de plástico mais usado no setor da restauração
13 de nov. de 2018, 19:38
— Lusa/AO online
O
inquérito à utilização de materiais descartáveis plásticos decorreu no
âmbito de uma campanha da Associação da Hotelaria, Restauração e
Similares de Portugal (AHRESP), denominada "Menos Plástico Mais
Ambiente", cofinanciada pelo Fundo Ambiental do Ministério do Ambiente,
que contou com 489 respostas válidas.A seguir às palhinhas, são os copos de plástico o material deste tipo mais utilizado pelas empresas do setor (28,2% do total)."Os
outros tipos de material de plástico descartável (pratos, talheres)
representam pouco mais de 10% das respostas obtidas", sublinha a AHRESP
no documento de apresentação dos resultados. As
respostas foram recolhidas em setembro e outubro em Albufeira, Coimbra,
Évora, Lisboa, Ponta Delgada, Portimão, Porto e Santarém, junto de
empresas de restauração e bebidas e de alojamento turístico.No
total de respostas, 77,4% dos estabelecimentos assinala disponibilizar
sacos, dos quais 49,7% indica sacos de papel e 49,9% de plástico.Cerca
de 87% das empresas usam materiais descartáveis, 70% continuam a usar o
plástico como material descartável e 27% usam papel. As
respostas foram obtidas através de entrevistas presenciais em vários
estabelecimentos, dividindo-se em restaurantes (57,3%), pastelarias
(18,8%), cafés e bares (12,3%), ´take-away´ (3,3%), alojamento (1,6%) e
outros (6,7%).
Quase todos os empresários inquiridos (93%) afirmaram separar as
embalagens. De acordo com a mesma fonte, 91,6% das empresas separa o
plástico, 93,3% o vidro e 92,8% o papel/cartão.O
inquérito fez parte de uma campanha destinada a sensibilizar todos os
cidadãos para a necessidade de mudar comportamentos em prol do ambiente,
que percorreu também praias e festivais de música, tendo sido
recolhidos mais de 52 quilos de plástico.Os
resultados foram apresentados durante uma conferência em que os
empresários manifestaram receio com "medidas avulsas" e "excesso de
legislação" nas questões ambientais.Jaime
Braga, da Confederação Empresarial de Portugal, afirmou que, perante "a
fúria legislativa" do parlamento prefere confiar "na calma e
ponderação" dos gabinetes governamentais, manifestando receios de que
muitas empresas "fiquem pelo caminho" por não conseguirem adaptar-se às
alterações.No
mesmo sentido, o secretário-geral da AHRESP, José Manuel Esteves,
alertou que as pequenas empresas não têm capacidade para "encaixar"
tanta legislação "produzida em catadupa", criticando "medidas avulsas"
nesta área.Também
Jorge Henriques, da Federação das Indústrias Portuguesas
Agro-Alimentares, classificou o atual parlamento como "pródigo em
legislação" e defendeu a melhoria dos sistemas de recolha de resíduos.
"Não podemos viver confrontados com este estigma de que somos produtores
de lixo", disse.Presente
na iniciativa, o secretário de Estado do Ambiente, Carlos Martins,
garantiu que o futuro será "construído com diálogo", reconhecendo que é
difícil alcançar consensos em torno das mudanças de paradigma."Este
paradigma de menos plástico está nas nossas mãos. O que temos pela
frente não é um caminho fácil", declarou no final do encontro.O
governante estimou que as mudanças de hábitos levarão "algum tempo" e
defendeu parcerias com o setor para encontrar soluções alternativas aos
materiais derivados do petróleo.