Palavras de Macron sobre os não vacinados estão a gerar polémica em França
Covid-19
5 de jan. de 2022, 18:42
— Lusa/AO Online
Numa
entrevista ao jornal Le Parisien, conhecida na terça-feira à noite, o
chefe de Estado francês garantiu que está determinado em “chatear” os
não vacinados contra a Covid-19 “até ao fim” limitando-lhes, tanto
quanto possível, o acesso a atividades sociais.“Quero
realmente irritar os não vacinados. E assim vamos continuar a fazê-lo
até ao fim. É essa a estratégia”, frisou Macron na entrevista.Estas
palavras de Macron foram conhecidas numa altura em que a transformação
do atual passe sanitário em passe vacinal ainda estava a ser discutida
na Assembleia Nacional, o que levou que as forças da oposição no
parlamento francês pedissem a suspensão da sessão.Várias
trocas acesas de argumentos surgiram entre os deputados, com a oposição
a reclamar a presença no hemiciclo do primeiro-ministro francês, Jean
Castex.Os trabalhos parlamentares seriam suspensos já durante a madrugada."Acho
que podemos concordar que não estão reunidas as condições de trabalho
sereno para continuar esta sessão", disse Marc Le Fur, deputado da
maioria que estava a presidir à sessão.No
hemiciclo, Nicolas Dupont-Aignan, deputado da extrema-direita e
candidato à presidência, considerou que "as palavras do Presidente
desonram" a sua função e a Assembleia. Já o
presidente da força política Os Republicanos (direita), Christian
Jacob, disse não querer aprovar um diploma que serve para "chatear" os
franceses.Já esta manhã, Valérie Pécresse,
candidata presidencial dos Republicanos, afirmou que é preciso "acabar
com este mandato de desprezo".Outra frase
da entrevista de Macron que está a chocar a opinião pública francesa
prende-se com o facto de o Presidente ter dito que "um irresponsável não
é um cidadão", uma afirmação que chocou muitos franceses, nomeadamente
os cerca de cinco milhões que escolheram não se vacinar contra a doença
covid-19.Na terça-feira, o ministro da
Saúde francês, Olivier Véran, anunciou que o país tinha registado quase
300.000 novos casos de covid-19 nas últimas 24 horas, num contexto ainda
marcado pela vaga associada à nova variante Ómicron.