Países têm de apresentar planos de recuperação para aceder a mecanismo da UE
Covid-19
28 de mai. de 2020, 10:29
— Lusa/AO Online
“A profundidade da crise e a rapidez da
recuperação dependerão da forma como a pandemia evoluir e de quão bem e
rapidamente poderemos reiniciar com segurança a atividade económica e é
por isso que apresentamos o Mecanismo de Recuperação e Resiliência,
a maior ferramenta do nosso Fundo de Recuperação, com um poder de fogo
de 560 mil milhões de euros”, afirmou o vice-presidente executivo da
Comissão Europeia Valdis Dombrovskis.O
responsável falava em conferência de imprensa, em Bruxelas, um dia
depois de a Comissão Europeia ter anunciado a criação de um Fundo de
Recuperação de 750 mil milhões de euros para a Europa superar a crise
provocada pela pandemia de Covid-19, do qual se prevê que Portugal
beneficie de um total de 26,3 mil milhões de euros.Do
valor global do Fundo de Recuperação, 500 mil milhões de euros serão
canalizados para os Estados-membros através de subsídios a fundo perdido
e os restantes 250 mil milhões na forma de empréstimos. Com
o novo Mecanismo de Recuperação e Resiliência a representar a maior
fatia desse fundo, o total da verba alocada a esta ferramenta divide-se
em 310 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido e 250 mil
milhões de euros em empréstimos em condições favoráveis, precisou Valdis
Dombrovskis.“Este apoio estará disponível
para todos os Estados-membros, mas iremo-nos concentrar nos países mais
afetados e onde as necessidades são maiores”, frisou o responsável,
indicando que o objetivo é “evitar que as disparidades existentes entre
países, regiões ou pessoas se agravem ainda mais”.Este
será, então, um mecanismo de caráter voluntário e ligado ao Semestre
Europeu, ao qual os países da União Europeia (UE) apenas podem aceder
após criarem e apresentarem “planos de recuperação e de resiliência”,
que serão depois avaliados por Bruxelas, indicou Valdis Dombrovskis.É
também o executivo comunitário que decide a verba alocada a cada país
no âmbito deste mecanismo, dotações essas que têm em conta “a
prosperidade relativa e a taxa média de desemprego”, precisou o
responsável letão.E uma vez que o
Mecanismo de Recuperação e Resiliência está ligado ao ciclo de
coordenação das políticas orçamentais na UE, os países terão de
justificar à Comissão “de que forma [os seus projetos apresentados]
contribuem para alcançar as prioridades identificadas no Semestre
Europeu”.Segundo Valdis Dombrovskis, “isto
garantirá que as despesas são bem orientadas e utilizadas e significa
também que as prioridades a nível da UE se traduzem em resultados no
terreno, em cada país”.Os planos nacionais
para beneficiar do mecanismo têm de ser apresentados a Bruxelas “todos
os anos em abril com os seus Planos Nacionais de Reforma, ou mais cedo
em outubro do ano anterior com os seus projetos de orçamento”, adiantou o
vice-presidente do executivo comunitário.Também
presente na ocasião, o comissário europeu da Economia, Paolo Gentiloni,
vincou que “este mecanismo não representa ingerência de Bruxelas” nas
reformas dos países.“Isto não é um programa de ajustamento com um nome diferente”, assegurou.Paolo Gentiloni informou ainda que os pagamentos aos países no âmbito deste mecanismo serão realizados em tranches.O
Fundo de Recuperação da UE, designado como Next Generation EU,
traduz-se num instrumento de emergência criado após a crise gerada pela
pandemia, através do qual Bruxelas recorre aos mercados para aumentar o
seu poder financeiro para depois canalizar fundos para os países através
de subsídios ou empréstimos.