Países europeus pedem à Hungria que anule da proibição da marcha LGBT
27 de mai. de 2025, 12:07
— Lusa/AO Online
A declaração,
assinada por Portugal, Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca,
Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Irlanda, Letónia,
Lituânia, Luxemburgo, Países Baixos, República Checa e Suécia, foi hoje
tornada pública pelo Governo holandês, autor da iniciativa.Esta
questão está na ordem do dia do Conselho Assuntos Gerais de hoje, em
Bruxelas, que inclui um ponto sobre o procedimento previsto no artigo
7.º do Tratado da União Europeia, em que os países ponderam a
possibilidade de retirar a Budapeste os direitos de voto na
União Europeia devido a várias violações do Estado de direito.A
polícia húngara proibiu, na segunda-feira, uma manifestação contra a
homofobia e a transfobia prevista para 01 de junho, invocando a polémica
lei que proíbe as marchas LGBT+ com o argumento da proteção
dos menores.Trata-se da primeira vez que a
polícia húngara recorre à lei aprovada pelo governo de Viktor Órban
aprovada em março e que proíbe reuniões que promovam a mudança de sexo
ou a homossexualidade.A legislação foi criticada pela União Europeia como um ataque aos direitos das minorias.Na
declaração, os países signatários afirmam estar
profundamente preocupados com as recentes alterações legislativas e
constitucionais que, acusam, violam os direitos fundamentais das pessoas
LGBTIQ+, aprovadas pelo Parlamento húngaro em 18 de março e 14 de abril
de 2025.Sob o pretexto da proteção das
crianças, estas alterações legislativas permitem também a aplicação de
multas aos participantes e organizadores destes eventos e a utilização
de programas informáticos de reconhecimento facial."Estamos
preocupados com as implicações destas medidas para a liberdade de
expressão, o direito de reunião pacífica e o direito à privacidade",
referem os signatários da declaração.No
mesmo documento, os 17 países afirmam também estar "profundamente"
alarmados com os desenvolvimentos políticos da Hungria, que,
sublinham, contradizem os valores fundamentais da dignidade humana, da
liberdade, da igualdade e do respeito pelos direitos humanos, tal como
definidos no artigo 2º do Tratado da União Europeia.O
documento tornado público hoje pede diretamente ao Executivo da Hungria
para rever estas medidas no sentido de garantir o respeito e a proteção
dos direitos humanos e das liberdades fundamentais de todos os
cidadãos, cumprindo assim obrigações internacionais.