Países europeus divididos entre apoio total e condenação dos ataques
Hoje 17:34
— Lusa/AO Online
As posições
vão desde o pleno apoio da Alemanha e da Itália à condenação da Espanha e
à recusa em permitir que as bases norte-americanas no país sejam usadas
para o ataque, passando pela postura mais ambígua do Reino Unido, a
atrair críticas internas e internacionais.Apesar
destas posições díspares, a UE tentou projetar uma posição comum, no
final da reunião, no domingo, dos 27 ministros dos Negócios
Estrangeiros, a pedir respeito pelo direito internacional e evitar uma
escalada conflito na região.Todos os
países europeus, mesmo os que rejeitaram o ataque, condenaram o regime
iraniano e, depois de uma base britânica em Chipre ter sido atingida,
alguns chegaram mesmo a alertar para a possibilidade de tomar medidas
caso os interesses europeus sejam afetados.Alemanha: apoio total ao ataqueA
Alemanha, que alberga em Ramstein a maior base militar dos EUA fora do
seu território, é um dos países que mais fortemente apoia a intervenção
norte-americana e israelita contra o Irão.No
domingo, o chanceler alemão, Friedrich Merz, defendeu a intervenção e
afirmou que o Governo alemão “partilha o alívio de muitos iranianos pelo
fim do regime dos ‘ayatollah’” e tem o mesmo interesse dos EUA e de
Israel em acabar com “o terrorismo” de Teerão.Consequentemente,
a base de Ramstein foi o destino, na segunda-feira, dos aviões de
transporte militar KC-135 dos EUA que partiram da base aérea de Morón de
la Frontera (Sevilha) com destino às instalações da Força Aérea dos EUA
na Alemanha. Portugal: Lajes usadas pelos EUA O
Governo português pediu “máxima contenção” a todas as partes para
evitar uma escalada do conflito e solicitou o fim imediato dos “ataques
injustificados” do Irão contra países da região. O
ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse que Portugal
concedeu uma “autorização condicional” aos EUA para uso da base das
Lajes, mas apenas depois de Washington ter informado Lisboa de que tinha
realizado uma intervenção militar no Médio Oriente, e garantiu que
nenhum meio militar envolvido na operação partiu dos Açores. Itália: apoia mas não participa A
Itália justificou a ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irão como uma
medida necessária para neutralizar a ameaça nuclear e de mísseis,
enquadrando este apoio como um suporte aos protestos civis de jovens e
mulheres contra o regime de Teerão.Apesar
deste alinhamento político, o ministro dos Negócios Estrangeiros
italiano, Antonio Tajani, afirmou que Roma “não está em guerra com
ninguém”, uma vez que “a Constituição o impede”, e realçou que o
objetivo do Governo é proteger os 70 mil italianos na região.França e Grécia: defesa de ChipreA
França, que conta com quase 5.000 militares destacados na Jordânia, no
Líbano, no Iraque, na Síria e nos Emirados Árabes Unidos, foi o país
europeu que anunciou mais rapidamente o reforço da presença militar na
região para defender os interesses dos cidadãos franceses.Quando
o Irão atacou uma base britânica em Chipre, a França decidiu enviar
para a ilha uma fragata e sistemas antimíssil, que se vão juntar aos
quatro caças e à fragata enviados pela Grécia.O
Governo do Presidente francês, Emmanuel Macron, reiterou a
disponibilidade para defender, além de interesses próprios, os dos
parceiros do país no Médio Oriente, sem objetivos ofensivos e “de forma
proporcional”.Reino Unido: críticas internas e externas face a posição pouco definida O
Reino Unido foi acusado de ter uma postura ambígua já que recusou
apoiar os ataques dos EUA e de Israel no sábado, apesar do pedido nesse
sentido do Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou o
primeiro-ministro britânico, Keir Starmer.No entanto, no dia seguinte, autorizou a utilização de algumas bases por aviões norte-americanos “para fins defensivos”.Starmer escusou-se a comentar os ataques, e a posição inicial em relação às bases resultou em críticas de Trump.O
Reino Unido acabou por assinar, juntamente com França e Alemanha, uma
declaração a advertir o Irão para as consequências de prejudicar os
interesses destes países europeus na região.Espanha: condena o ataque e nega uso de bases aos EUAO
Governo espanhol posicionou-se claramente contra a guerra no Irão e
recusou permitir que os EUA utilizassem as bases em Espanha para as
atividades militares no golfo.Como resultado, os aviões-tanque norte-americanos retiraram das bases de Morón (Sevilha) e de Rota (Cádis).O
primeiro-ministro, Pedro Sánchez, considerou que a violência “só gera
mais violência” e pediu uma “interrupção imediata” desta espiral de
conflito e um regresso à diplomacia e ao diálogo, condenando tanto os
ataques dos EUA e de Israel contra o Irão, como os ataques “ilegais e
indiscriminados” realizados por Teerão contra países da região.Bélgica: oposição menos categóricaMenos
categórica do que Espanha, a Bélgica também manifestou oposição ao
ataque por o considerar uma violação do direito internacional e realçou
que a força militar deve ser sempre o último recurso, mas solidarizou-se
com os aliados contra o regime iraniano.