Países da NATO atingiram todos meta de 2% do PIB em Defesa em 2025
Hoje 16:38
— Lusa/AO Online
“Em
2025, pela primeira vez, todos os Aliados atingiram a meta acordada em
2024: atingir pelo menos 2% do PIB [Produto Interno Bruto] em Defesa. E
muitos foram ainda mais longe”, afirmou o secretário-geral da NATO, Mark
Rutte, numa conferência de imprensa em Bruxelas onde apresentou o
relatório anual da Aliança Atlântica.Rutte
salientou que, de 2024 para 2025, a Europa e o Canadá aumentaram em
cerca de 20% os seus gastos em Defesa e defendeu que “manter esta
tendência crucial deve ser uma prioridade nos próximos anos”.“Os
aliados europeus e o Canadá dependeram excessivamente, durante
demasiado tempo, do poderio militar dos Estados Unidos. Não assumimos
suficiente responsabilidade pela nossa segurança. Mas houve uma
verdadeira mudança de mentalidade e um reconhecimento coletivo das
mudanças no nosso ambiente de segurança”, afirmou.O
secretário-geral da NATO salientou que, atualmente, os Aliados estão a
investir mais dinheiro no desenvolvimento de “capacidades cruciais”,
pedindo que se aumente a produção e a inovação de material militar.“Fizemos
progressos significativos em termos de investimento em Defesa e a
Europa está mais forte hoje do que alguma vez esteve”, defendeu.De
acordo com o relatório, os Aliados da NATO gastaram, em conjunto,
incluindo os Estados Unidos, 1,4 biliões de dólares (cerca de 1,22
biliões de euros, ao câmbio atual) em 2025, mais 6,19% do que em 2024.Só
a Europa e o Canadá gastaram 574 mil milhões de dólares (cerca de 497
mil milhões euros), correspondendo aos 20% de aumento referidos por Mark
Rutte.Segundo o relatório, os Estados
Unidos são o país que mais gasta em Defesa em valores absolutos (cerca
de 838 mil milhões de euros). No entanto,
em termos de proporção do PIB, a Polónia surge em primeiro lugar
(4,30%), seguido da Lituânia (4%), Letónia (3,74%), Estónia (3,42%) e
Dinamarca (3,34%).Os Estados Unidos – cujo
Presidente, Donald Trump, tem exigido aos Aliados que aumentem os seus
gastos em Defesa – é o sétimo país que mais gasta em termos
proporcionais (3,19%), apesar de ser dos poucos países que registou um
desinvestimento em Defesa: passou de 850 mil milhões de euros investidos
em Defesa em 2024 para 838 mil milhões em 2025, uma redução de 1,38%.Por
sua vez, Portugal está no grupo de cinco países que menos gasta em
Defesa - não ultrapassando a meta dos 2% - apesar de ser o 12.º Aliado
que mais aumentou os seus gastos entre 2024 e 2025 (31,67%).No
relatório, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, considerou que os
dados hoje divulgados mostram que a Aliança está “mais segura”, mas
frisou que é “preciso manter o ímpeto”.“Espero
que os Aliados, na próxima cimeira da NATO, em Ancara (Turquia),
mostram que estão num caminho claro e credível para atingir a meta dos
5%”, referiu, afirmando que “não há lugar para a complacência nem tempo a
perder”.“A segurança de mil milhões de
pessoas está em jogo. Uma relação transatlântica forte permanece
essencial numa era de incerteza global”, afirmou. A
meta dos 2% do PIB tinha sido acordada pelos chefes de Estado e de
Governo da NATO numa cimeira no País de Gales, em 2014, com o objetivo
de ser atingida até 2024.Entretanto, na
última cimeira da Aliança, em Haia, em junho de 2025, os 32 membros da
Aliança Atlântica comprometeram-se com uma nova meta: aumentar os gastos
em Defesa para 5% do PIB até 2035.