Países da “linha da frente” pedem à UE mais solidariedade
Migrações
25 de nov. de 2020, 15:50
— Lusa/AO Online
O apelo
dos Governos espanhol, italiano, grego e maltês surge num documento de
trabalho conjunto enviado à presidente da Comissão Europeia, Ursula von
der Leyen, ao presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e à
chancelar alemã, Angela Merkel, cujo país assegura atualmente a
presidência semestral rotativa do Conselho da UE.O
documento é conhecido por ocasião da cimeira bilateral entre Espanha e
Itália que hoje decorre na cidade espanhola de Palma (ilha de Maiorca,
no Mediterrâneo) com a presença do presidente do Governo espanhol, Pedro
Sánchez, e do primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte.A
par destes dois governantes, o documento é igualmente assinado pelos
chefes dos Governos grego e maltês, Kyriakos Mitsotakis e Robert Abela,
respetivamente.Os quatro países
signatários, que estão na "linha da frente" dos fluxos migratórios em
direção à Europa, saúdam os esforços da União para concretizar um novo
Pacto sobre a Migração e o Asilo - uma das matérias mais fraturantes no
seio do bloco comunitário – e reconhecem que a proposta da Comissão
Europeia representa um ponto de partida construtivo para um trabalho
comum.Perante tal tarefa, Madrid, Roma,
Atenas e La Valetta exigem que haja uma solidariedade partilhada por
todos e não apenas pelos ditos países de entrada e, nesse sentido, pedem
que este aspeto fique claramente definido no novo pacto.“Devemos encontrar soluções coordenadas para os nossos desafios comuns”, enfatizam os quatro líderes europeus.No
documento conjunto, citado pela agência espanhola EFE, os quatro países
defendem também que a aplicação ou não de procedimentos fronteiriços,
bem como as categorias de pessoas a quem se devem aplicar, deve
continuar a ser uma prerrogativa dos Estados-membros, uma vez que são os
próprios que estão em melhor posição para decidir quais são as medidas
viáveis dadas as suas circunstâncias específicas.Os
países argumentam igualmente que a criação de grandes centros fechados
nas fronteiras externas não é aceitável e que a gestão do asilo deve
respeitar plenamente os direitos humanos.Os
quatro salientam também a necessidade de melhorar a promoção de acordos
com países terceiros para lidar com a imigração irregular, insistindo
numa definição clara dos instrumentos financeiros de apoio agregados a
tal esforço.Neste capítulo, Espanha,
Itália, Grécia e Malta pedem especificamente uma atenção especial aos
países vizinhos do sul, defendendo, entre outros aspetos, a construção
de relações sustentadas na confiança e na igualdade, através de
contactos políticos frequentes e de fundos destinados a ações nesses
países.Ainda neste contexto, os quatro
Estados-membros realçam que os países terceiros devem estar totalmente
equipados para limitar os fluxos de migração irregular.“Não
é apenas uma questão de mais dinheiro, mas de ações que coincidam
realmente com os interesses dos nossos parceiros, respondendo às suas
necessidades e, consequentemente, poder satisfazer as necessidades
operacionais da gestão da migração”, acrescenta o documento conjunto.Madrid,
Roma, Atenas e La Valetta expressam ainda um total compromisso em
abordar “de forma construtiva” a negociação do novo pacto migratório,
pedindo aos restantes parceiros da UE para que atuem “com ambição e
empenho” de forma a alcançar um acordo final que seja benéfico para
todos.A Comissão Europeia apresentou em 23
de setembro uma proposta de um muito aguardado (e várias vezes adiado)
novo Pacto sobre a Migração e o Asilo.Classificado
então como “um novo começo em matéria de migração”, o novo pacto prevê,
por exemplo, um fortalecimento dos controlos fronteiriços e um sistema
comum em matéria de regressos dos migrantes aos respetivos países de
origem.O plano da Comissão prevê
igualmente uma “solidariedade obrigatória” para todos os Estados-membros
no caso de um Estado enfrentar uma “emergência”.No entanto, a proposta da Comissão não inclui a partilha obrigatória de migrantes.O
documento possibilita que os Estados-membros possam escolher entre o
acolhimento, a participação nos processos de regresso ou com apoio
operacional, por exemplo, através de financiamento para a construção de
campos de refugiados.Quando assumiu a
presidência europeia, em julho, a Alemanha manifestou a ambição de
alcançar um acordo político sobre o novo pacto migratório até ao final
de 2020.O novo pacto precisa de ser
aprovado por todos os Estados-membros e pelo Parlamento Europeu para que
possa ser transformado em lei.Cinco anos
após a crise migratória que atingiu a Europa, considerada a maior das
últimas sete décadas, quando cerca de um milhão de pessoas entrou
irregularmente no espaço europeu, o consenso entre os 27 da UE tem sido
difícil de alcançar.