Pais querem que a escola da Horta abra mais cedo para deixarem os seus filhos
18 de set. de 2025, 17:47
— Lusa/AO Online
“Poderá
haver uma solução, sem gastar dinheiro à instituição, mas que tem de
contar com a vontade de todos, porque este é um problema de todos”,
afirmou Paulo Jorge Silva, primeiro subscritor de um
abaixo-assinado, entregue no parlamento açoriano, que foi apreciado
pelos deputados da comissão de Assuntos Sociais, reunidos na cidade da
Horta.Na petição, subscrita por cerca de
250 pessoas, é referido que “muitos pais trabalham por turnos” e entram
às 08:00, obrigando ao recurso a creches e Atividades de Tempos Livres
(ATL) privados para deixarem os filhos antes do arranque das aulas.“Considerando
o superior interesse das crianças, a importância de garantir o seu
acolhimento em ambiente seguro e supervisionado, bem como a necessidade
de promover o equilíbrio entre a vida profissional e familiar,
solicitamos que seja equacionada a possibilidade de a escola abrir as
suas portas às 07:45, permitindo assim que os alunos possam ser
entregues pelos seus responsáveis em tempo útil e com a tranquilidade
necessária”, lê-se na petição.Salientando
que os pais não defendem alterações no horário escolar, mas “apenas que
os portões da escola abram mais cedo e possam acolher” as crianças,
Paulo Jorge Silva insistiu que o problema pode ser facilmente resolvido
se houver “boa vontade” de todos os envolvidos.Também
ouvido pelos deputados regionais, o presidente do conselho executivo da
Escola Básica e Integrada da Horta, Hildeberto Peixoto, alegou não ter
profissionais suficientes para alargar o horário de funcionamento do
estabelecimento de ensino.Além disso, acrescentou, o problema afeta um número residual de encarregados de educação.“Não
me parece, pelo ‘feedback’ que tenho, que sejam assim tantas as
situações, mas admito que os encarregados de educação que começam a
trabalhar às oito da manhã, ou até antes, terão este problema”, disse o
docente.O responsável recordou, contudo,
que a ilha do Faial tem várias creches e ATL, no setor privado, a quem
os pais e encarregados de educação podem recorrer no período da manhã, e
admitiu ter dúvidas sobre se a antecipação de horário não teria uma
impacto negativo nas crianças.“Deixar uma
criança numa escola 75 minutos antes do início das atividades letivas
não contribui, em nada, para a felicidade dessas crianças, a não ser que
sejam garantidas atividades, através de uma valência de ATL, por
exemplo, que sejam pensadas e estruturadas no sentido de acolher essas
crianças”, insistiu o presidente do conselho executivo.A
secretária regional da Educação, Cultura e Desporto, Sofia Ribeiro,
também ouvida na comissão de Assuntos Sociais sobre a matéria, disse que
não se opõe a que a Escola Básica e Integrada da Horta abra as portas
mais cedo, mas lembrou que, ao abrir este precedente, outros pais e
encarregados de educação da região poderão exigir o mesmo.“Há
enquadramento normativo para poder fazer-se outro regime de
funcionamento, nomeadamente aquele que os peticionários requerem. O
problema reside no acompanhamento que aqui se exige dos alunos, que não
diz respeito apenas à Escola Básica Integrada da Horta, e que, a
abrir-se este precedente, poderá levar a que tenhamos o mesmo nos
restantes estabelecimentos de ensino da região”, salientou a governante.A
comissão de Assuntos Sociais vai agora elaborar um relatório final
sobre a matéria, antes de apresentá-lo em plenário na Assembleia
Legislativa regional.