Padre de Santarém condenado em 2015 por abuso sexual de menores mantém-se em funções
14 de mar. de 2023, 09:32
— Lusa/AO Online
Questionada
pela Lusa sobre a situação de António Júlio Ferreira dos Santos,
nomeadamente sobre uma eventual suspensão de funções para reavaliação do
seu processo, como noticiado pelo semanário regional “O Mirante”,
citando um membro da Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Adultos
Vulneráveis, a Diocese afirma não ter sido tomada qualquer decisão
nesse sentido.“O padre Antonio Júlio
Ferreira dos Santos não foi suspenso e até ao momento não informou o
bispo diocesano [José Augusto Traquina] de qualquer decisão nesse
sentido. No passado domingo, apenas e por decisão pessoal, não celebrou
nas comunidades onde é administrador paroquial pedindo assim auxílio a
colegas para as celebrações previstas”, afirma.Na
sua resposta, a Diocese declara que a intervenção feita pelo
responsável citado pelo jornal, no final da celebração, foi feita “a
título pessoal”.“Não foi nem a pedido do bispo diocesano nem da comissão referida”, salienta.A
Diocese acrescenta que, “até ao momento, o padre António Júlio não
informou nem o bispo de Santarém, nem os que o acompanham, de qualquer
intenção de nova avaliação, seja psiquiátrica ou psicológica, não
afastando obviamente esse cenário num futuro”.António
Santos, então padre na Golegã (Santarém), foi condenado, em março de
2015, a pena suspensa de 14 meses de prisão por dois crimes de abuso
sexual de criança, tendo o Tribunal entendido que estes não assumiram a
forma agravada, como estava acusado.O
coletivo de juízes decidiu não aplicar a pena acessória pedida pelo
Ministério Público, de proibição do exercício da profissão, por entender
que as funções do padre não implicam necessariamente que tenha menores
sob a sua vigilância.O padre alegou que
tinha uma depressão, tendo o Tribunal determinado que o acompanhamento
psiquiátrico prosseguisse durante os 14 meses de suspensão da pena.O
primeiro abuso dado como provado ocorreu durante um acampamento de
escuteiros na noite de 26 para 27 de outubro de 2013, numa tenda onde
dormiam quatro jovens, tendo-se António Santos deitado entre duas delas,
tocando a menor, então com 11 anos, por cima do saco-cama.A
outra situação ocorreu na noite de 08 de novembro durante uma visita
com um grupo de jovens à Feira da Golegã, quando assistiam a um jogo de
horseball, tendo o padre metido a mão dentro do bolso do casaco da
menor, então com 12 anos, tocando os seus órgãos genitais.A
decisão do Tribunal Criminal de Santarém foi confirmada, ainda em 2015,
pela Santa Sé, tendo o padre sido nomeado, em 2016, vigário paroquial
de outro pároco, ajudando-o no serviço paroquial “apenas do ponto de
vista celebrativo”, afirma a Diocese.“Desde
então, viveu e vive no Seminário de Santarém com o bispo e com outros
sacerdotes, e recebeu o acompanhamento médico e psiquiátrico necessário e
aconselhado”, acrescenta.António Júlio
Santos é, desde 2021, administrador paroquial das Paróquias de Nossa
Senhora da Conceição, de Póvoa da Isenta, e Santa Maria de Almoster,
ambas no concelho e vigararia de Santarém.“Esclarecemos
que do ponto vista canónico e organizativo, este cargo é, pois, muito
limitativo, porque permite apenas ao padre em questão a administração da
prática dos sacramentos, a celebração da missa e a realização de
funerais, não estando em contacto nem com crianças nem com menores a não
ser nas celebrações”, afirma a Diocese.